São afirmações comuns entre os viajantes que as grandes motocicletas de marcas alemãs, italianas, japonesas e inglesas têm o motor potente, podem carregar muita bagagem, têm tanque de gasolina grande - o que aumenta a autonomia - e eixo cardã. É uma realidade, mas realidade e funcionalidade são coisas diferentes.

Vou explicar:

1 – Preço

Uma moto grande pode custar de 60 a 80 mil reais e isto pode representar até 50% a mais em relação ao valor de uma moto de 650cc, por exemplo.

Além do preço de compra vem o maior custo com pneus, manutenção, seguro, etc.

Este gasto maior não garante maior aventura. Significa que você está gastando bem mais, mesmo antes de começar a viagem.

Mas para se defender, você pode dizer que as motos grandes chegam a 160 km/h e rodam muito mais quilometragem diariamente, mas você vai concordar que pilotar em alta velocidades em autoestrada, ficar em hotel luxuoso e tomar vinho caro diariamente pode não ser uma aventura. Você acaba descobrindo que autoestrada é coisa chata. É preferível pegar diferentes caminhos e estradas normais com muitas curvas para curtir a paisagem. Então, qual a velocidade máxima em estradas normais? 90, 100 ou até 120 km/h? Por exemplo, na minha viagem para a Rússia e Mongólia, rodei mais de 15 ou 16 mil km onde não existe autoestrada, só estradas normais, geralmente estreitas e com trânsito pesado. Então qual a velocidade máxima que você consegue rodar nestas estradas, com motos grandes? Cerca de 100 ou até 120 km/h. Evidente que se fosse na Europa seria diferente, outro tipo de viagem, mas isto é outra história.

2 – Peso

O peso é sempre um problema. Se você procura por aventura, você vai abandonar o conforto do asfalto e pegar o off road e então você descobrirá que quanto mais leve estiver, maior a chance de estar seguro. Descobrirá que levantar 200 kg é bem mais fácil que levantar 300 ou até 350 kg. Você pode levantar este peso uma vez, duas vezes ou até 10 vezes, mas não aguentará o dia todo. Se insistir vai precisar de ajuda.

3 – Velocidade constante ao invés de velocidade máxima

Não precisa ser um guru matemático para saber que a velocidade constante é melhor. Mas você pode dizer que prefere ter uma moto possante e rodar devagar. Certo? Então para que comprar a moto possante? Eu tenho visto muitos donos de motos mais leves pilotando rápido, mas não tenho visto donos de motos possantes pilotando devagar, a não ser em Off Road e usando técnicas de pilotagem para atravessar riachos, etc. Tenha certeza que ao dirigir em alta velocidade você terá que se concentrar só na moto e no asfalto e deixará de contemplar a paisagem. Outro ponto é que pilotando rápido você pode deixar de ver sinalizações, indicações de perigo e se exporá a acidentes, além de ter menor tempo de reação diante de erros de outros motoristas, ou seja, diminui sua segurança. Lembre-se que se trata de uma viagem longa e não de uma corrida de moto. Reduza a velocidade para contemplar o mundo.

4 – Bagagem reduzida

Se você optar por motos menores acabará levando menos bagagem. Você pode dizer que viagem longa necessita de muita bagagem. Não é verdade, pois a bagagem para uma semana será a mesma que para um mês ou vários meses.

Um conselho pessoal:

Um mês antes da viagem, pare de frequentar lojas de acessórios para moto/motociclistas, lá você vai encontrar um monte de coisas desnecessárias. Faça em casa uma lista dos itens indispensáveis. Deixe sua “perfumaria” e “toalete” em casa. É tudo muito pesado.

5 – Segurança pessoal

Com moto mais leve é mais fácil enfrentar trânsito e fazer manobras um tanto ilegais quando necessário e também é mais fácil empurrar, no caso de ocorrer uma pane. É também mais fácil dirigir On e Off Road, é mais fácil levantar a moto se necessário e escapar no caso da moto cair sobre você, principalmente se estiver viajando sozinho. Mais fácil também cruzar rios.

Tendo estes itens sob controle você aumenta a probabilidade de terminar a viagem com sucesso.

Segurança da moto

Moto mais leve é mais fácil de estacionar, seja em estacionamento normal, em becos, em partes internas de hotel ou até em um quarto. Importante também é que com moto menor você não atrai atenção, não parecerá um milionário e não despertará cobiça. Você será invisível.

Então, você poderá escolher qualquer tipo de moto, mas ao invés de gastar 60 a 80 mil reais numa moto possante, melhor gastar uns 30 mil reais numa moto mais leve e gastar a diferença em viagens.

Lembre-se. O que você realmente não precisa em numa viagem longa é de uma moto possante e pesada.

Versão: tradução de vídeo de Pavlin Zhelev do site Motorcycle Adventures.

Comentários (18)

  1. Washington Alves

Minha primeira moto foi uma Bros 160 16/16. Só ficava namorando. Planejava pega altas estradas com ela. Moto excelente para o centro urbano do dia-a-dia. Teve uma ocasião em a deixei para lavar em um desses lava-jato de bairro. Em um dos namoros notei alguns arranhões na carenagem. Meu coração se encheu de tristeza e desgosto. Mas mesmo assim, o ladrão a levou. Fiquei sem chão...

Quase um ano depois adquiri um XR 250 Tornado 2008 preta, com vários arranhões. 3ª mão. Estou com ela até hoje. E hoje uso ela para ir ao trabalho e fazer uns off-road sempre que posso (curto demais isso)!!!

Minha conclusão disso tudo? Não se deve ficar com mimimi...
Moto é máquina. É para ser usada até acabar ou quando puder ter outra.

O negócio é andar de motoca. Pegar estrada, seja asfalto ou terra, e viver o que há de melhor na natureza. Seja sozinho ou acompanhado, importante é viver.

  1. MÁRCIO RÉGIS DE OLIVEIRA

enquanto isto fui ao Ceará de Bros 150 2010...partindo de MG. Moto pequena problema pequeno . E vou com a que tenho.
Preparando a Fazer 250 17 para o Uruguai

  1. Washington Alves    MÁRCIO RÉGIS DE OLIVEIRA

Brother... qual foi o seu tempo de viagem até lá???

  1. MÁRCIO RÉGIS DE OLIVEIRA    Washington Alves

Desculpa a demora.
Sai de S. Lourenço na terça-feira e cheguei de manhã na sexta-feira. Na volta sai na segunda-feira e cheguei na quarta-feira.
Sempre viajando .

  1. Almir Ferraz Barreto

De parabéns sua matéria!

  1. Ruy Barbosa    Almir Ferraz Barreto

Caro Almir Ferraz Barreto

Obrigado pelo comentário;

O mérito é todo do Autor.
Como você pôde observar se trata de versão para a língua portuguesa;
Ruy Barbosa

  1. Ueliton Silva

Bom dia pessoal, possuimos uma BMW G650GS, moramos em uma chacará no interior de SP, saindo do asfalto temos que rodar aind 3 km de terra batida até a nossa casa, tomamos alguns escorregões e o solo e inevitavel, e sempre me vem em mente... e se fosse uma 800 ou uma 1200, deixaria aqui no barro.....kkkkk
bem esclarecido no texto acima, onde vai a 1200 a 600, a 400, a 300, a 125 chega também...

abraços a todos

  1. Ruy Barbosa    Ueliton Silva

Caro Ueliton Silva.

Obrigado pelo Comentário.

Ruy Barbosa

  1. Amador Emilio

PERTINENTES COMENTÁRIOS. TODAVIA, VIAGENS LONGAS DE 250CC, NINGUÉM MERECE.
SEMPRE FAÇO UMA ANALOGIA ENTRE CALÇADOS E MOTOCICLETAS. É COMO IR PARA A FAZENDA DE SAPATO SOCIAL OU DE BOTA DE VAQUEIRO PARA UM CASAMENTO NO COPACABANA PALACE,NADA A VER.
CONSIDERO QUE AS MOTOCICLETAS DE MEDIAS CILINDRADAS SÃO AS IDEAIS PARA TODO TIPO DE ESTRADAS E TERRENOS.JÁ TIVE MOTOS DE TODOS OS ESTILOS, DO TRAIL ÀS ESPORTIVAS, PASSANDO PELAS CUSTONS E TOURINGS. E ATUALMENTE CONSIDERO A HONDA CR1000L A MOTO QUE ABARGA TODO TIPO DE SITUAÇÃO COM EFICIÊNCIA.

  1. Ruy Barbosa    Amador Emilio

Caro Amador Emílio.

Obrigado pelo seu comentário

Ruy Barbosa

  1. Rodrigo Otávio Dias Pais    Amador Emilio

Sou obrigado a dizer três coisas (sem críticas, só alerta): Escrever em "caixa-alta" equivale a GRITAR!!! Não precisa. Segunda: entendo o Texto do Rui Barbosa não como "definitivo" e sim um alerta para aqueles que pretendem trocar de moto e pensam talvez que para meta de longas viagens precisem adquirir uma moto com mais de 1000 cc. Não é uma realidade isto e nunca vai ser. Já tive 250cc e 800cc, hoje 650cc, viajei longas distancias com todas, motos menores atendem sim esta demandas e em alguns casos até com vantagens. Para o inverso, para quem "já" possui uma moto maior, o texto não se aplica. Terceira: se faltar gasolina na Ferrari ou na Ducati a 250cc te leva no casamento em qualquer igreja ou recepção tranquilamente (é por aí).

  1. Rodrigo Otávio Dias Pais

Sem duvida a matéria é muito procedente. Outro dia vi uma avaliação de uma moto no youtube por um motociclista, em que o autor colocou valores de ponderação (multiplicadores) em uma tabela comparativa para o que ele achava relevante, no comparativo com motos maiores e menores. Apesar de uma moto de alta cilindrada ter notas altas para quase tudo acabava que, no compto geral, a moto avaliada de média cilindrada ganhava das de maior e menor cilindrada ("peso" por exemplo não era um item da tabela, mas um valor de ponderação com valor multiplicador 1,1 para muito pesada, 1,2 para medianas e 1,3 para as mais leves, . Achei interessante a forma matemática para explicar parte do que foi exposto pelo seu texto mestre Ruy!! No fim das contas "menos é mais" para aventuras . Mas há quem tenha um bolso sem fundo e pode gastar sem maiores problemas mas para a maioria dos mortais entre 350 e 800 cilindradas há um vasto paraíso e que atenderia até os mais abastados. Grande abraço.

  1. Ruy Barbosa    Rodrigo Otávio Dias Pais

Caro Rodrigo Otávio Dias Pais;

Interessante esta forma numérica de se classificar os diferentes modelos de moto.
Obrigado pela contribuição.

Ruy Barbosa

  1. LUIZ FELIPE CORRÊA E CORREIA

Concordo plenamente com quase todos os aspectos levantados aí... mas o desejo pelas motos de alta cilindrada é unânime para quase 100% dos motociclistas... Pergunta p quem tem 600 se não gostaria de pular p uma 1200! rsrsrs... Forte abraço e que todos consigam chegar lá pelo puro e simples prazer de ser motociclista.

  1. Ruy Barbosa    LUIZ FELIPE CORRÊA E CORREIA

Caro Luiz Felipe C. Corrêa

Obrigado pelo comentário

Ruy Barbosa

  1. José Otávio M. de Araújo

Mestre Ruy, como sempre acertou na mosca, perfeita sua colocação entre viajar com motos enormes de alta cilindrada e motos médias mais leves. Possuo uma de cada tipo e me encaixo exatamente em suas colocações. Parabéns pelo conhecimento e colocações sempre abalizadas sobre motociclismo. Vejo a psicose pela aquisição das BMW 1.200 quase como uma doença, a maioria não roda quase apenas tenta ostentar o poder de compra enquanto as motos de 650 cc rodam com sucesso por todo tipo de estrada. Fraterno moto abraço, Gugu - Taubaté/SP

  1. Ruy Barbosa    José Otávio M. de Araújo

Caro José Otávio M. de Araújo

Obrigado pelo comentário.

Lembrando que se trada de uma versão/tradução para língua Portuguesa. Então o mérito é do Autor

Ruy Barbosa

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