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Viagem de moto ao sul

Deserto do Atacama Sempre tive vontade de fazer uma grande viagem, e meu sonho é que ela tivesse uma característica de aventura. Quando encontrava o relato de alguém que fez uma viagem longa a pé, de bicicleta, de moto ou carro eu prestava muita atenção e absorvia o máximo de informações. Ficava me imaginando fazendo o mesmo percurso.

Com as motos que tive até hoje não me sentia seguro ou achava que teria o conforto que precisava para fazer uma viagem destas. Até que este ano eu comprei uma moto maior, uma Harley-Davidson Sportster XL 883. A partir daí passei a acumular um forte desejo de ir até o Chile com ela, saindo de BH. Comecei a imaginar: meu sonho pode se realizar de algum modo.

Roteiro da viagem ao Atacama

Rota viagem de Moto AtacamaEm maio eu fui convidado por dois colegas para fazer uma viagem de moto até o Chile. A intenção, além de conhecer aquele país e todos os lugares que passaríamos até chegar lá, era acompanhar uma das etapas do Rally Dakar, que foi transferido este ano da África para a América do Sul.

Há alguns anos eu sonhava com uma aventura neste nível e o convite veio bem ao encontro deste sonho. Aceito o convite, passei a me preparar para a viagem, ajustando data das férias, equipamentos, acessórios, moto, documentos, planejando possíveis roteiros, sonhando com a aventura e me preparando para a parte mais dolorosa desse tipo de aventura que é a distância da família por todo o período da viagem.

1º dia - Belo Horizonte - Ribeirão Preto

PA260133A viagem consiste em sair de Belo Horizonte, atravessar Minas, São Paulo e Paraná, entrar na Argentina por Foz do Iguaçu e seguir até as cidades de Mendoza, na Argentina, e Valparaíso, no Chile, onde ocorrem duas das etapas do Rally Dakar. De lá vou em direção ao Deserto do Atacama, também no Chile, retornando ao Brasil pelo Norte da Argentina.

O meio de transporte é uma motocicleta. E não é uma moto qualquer. É uma Harley-Davidson Sportster XL 883, de 883 cilindradas, ano 2008, que comprei há 10 meses. É o modelo mais tradicional da famosa marca americana, estando em produção ininterrupta desde 1957, quando foi criada para competição em pistas de corrida. É de uso mixto, ou seja, é espetacular no trânsito intenso da cidade e tem ótimo desempenho na estrada, apesar de não proporcionar tanto conforto quanto um modelo da linha touring da H-D.

2º dia - Ribeirão Preto - Londrina

DSC00750Retas, retas e mais retas. Numa das fotos que tirei dá pra ver que a estrada desaparece no horizonte. A primeira reta que peguei, saindo de Ribeirão preto, só acabou quando cheguei à ponte que atravessa o Rio Tietê (foto em seguida). Andei uns 200 km sem fazer uma única curva.

Aí foi chuva, chuva, e mais chuva. No princípio uma chuva fina, depois caiu o céu. Em Marília tive que parar num posto, onde não sei se chovia mais debaixo da cobertura ou fora, de tanta goteira. Assim que diminuiu eu retornei pra estrada.

3º dia - Londrina - Foz do Iguaçu

DSC00790Estou em Foz do Iguaçu. A viagem foi bastante tranqüila hoje. Saí de Londrina às 08h30min e cheguei a Foz do Iguaçu às 15h00min. Apesar de o tempo estar fechado durante todo o percurso, não choveu em nenhum momento. Isto fez com que a temperatura se mantivesse agradável todo o tempo, exceto quando cheguei a Foz, onde as avenidas têm sinal pra KCT e todos fechavam na medida em que eu me aproximava deles. Cozinhei debaixo da roupa de cordura.

A estrada de um modo geral foi a melhor que andei até agora nesta viagem. Não me lembro de ter visto um buraco sequer. Também pelo preço dos pedágios... Um verdadeiro roubo. Só peguei um trecho ruim de uns 10 km dentro de Maringá, por onde passei para pegar a rodovia que me levaria até Cascavel. 

4º dia - Foz do Iguaçu - Posadas

DSC00817Ontem à noite encontrei com o "Trio Electra", três casais de São Paulo que conheci este ano através do da internet (Genaro e Márcia, Celestino e Marcela, Bugno e Danny). Foi a terceira vez que nos encontramos pessoalmente desde que nos conhecemos há cerca de um ano, mas mantemos contato quase que diário pela internet. Tenho muito carinho e respeito por eles e ontem foi ótimo passarmos algumas horas juntos em Foz do Iguaçu. A viagem solitária tem suas vantagens, mas de vez em quando bate uma vontade danada de conversar com pessoas conhecidas.

5º dia - Posadas - Parana

DSC00848Hoje retomei o cronograma. Depois de uma noite bem dormida, acordei com disposição e peguei a estrada com tranquilidade, corpo e mente em ótima forma, o que permitiu rodar 760,1 km sem pesar muito.

Um caso interessante aconteceu na cidade de Virasoro. Estava num posto conversando com um casal muito simpático, quando ví passando na estrada uma Electra branca. Pensei: parece com a do Bugno. Logo em seguida passam mais duas Electras pretas. São eles! O trio Electra.

6º dia - Parana - Cordoba

DSC00869Estou em Córdoba. Resolvi hoje cedo alterar um pouco o meu roteiro e a cidade de destino do dia. Como é uma cidade maior, pensei que as estradas poderiam ser melhores e a rota mais fácil de seguir que a do roteiro original, que previa passar por muitas cidades pequenas, dificultando a viagem e podendo me fazer errar algum caminho e atrasar o cronograma.

Como minha moto estava uma lástima por causa do barro que peguei na estrada perto de Maringá, antes de sair do hotel onde estava hospedado eu aproveitei uma mangueira do jardim e tirei um pouco da sujeira mais grossa que estava sobre a moto. Pelo menos os cromados voltaram a aparecer, mas não sei como vou tirar as manchas que estão sobre o motor. Acho que quando voltar ao Brasil terei que procurar alguns produtos de limpeza novos para me ajudar. Resultado, moto limpa até pegar mais chuva na estrada. Hehehe, sempre que lavo minha moto lembro do Wolf.

7º dia - Córdoba - Mondoza

DSC00971Hoje rodei 707,6 km desde Córdoba até Mendoza. Agora sim, sinto que comecei realmente a viagem. Ao contrário dos dias anteriores, em que passei por lugares sem muitos atrativos, paisagens que deixavam a viagem monótona, hoje passei por lugares muito legais e ví paisagens fabulosas, como vou descrever abaixo. Tirei neste dia mais fotos e fiz mais filmes que nos seis dias que o antecederam.

Esta manhã levei um baita susto. Ontem deixei a calça no chão da varanda do quarto em que estávamos para secar o suor da viagem. Hoje cedo quando fui pegar a encontrei presa por baixo da grade, do outro lado da varanda, e bem suja de poeira. O vento foi forte à noite e a arrastou pela sacada até que ela ficasse presa na grade. Quase cai na rua, o que ia me causar muito transtorno, pois está sendo muito útil na estrada.

8º dia - Mendoza

Mendoza 29Estou em Mendoza. Acordei e fui tomar café da manhã. A variedade era grande. O cara perguntou qual das variedades de pão que eu gostaria de comer: um pão doce chamado fortuna ou um croisant. E se queria café, leite puro ou café com leite. E só. Bolas. Observei que na Argentina, mesmo nos hotéis melhores que fiquei, o café da manhã, que aqui chamam de desayuno, não é farto, mas este foi ridículo.

Assim que alguns dos paranaenses acordaram, saímos para uma volta por perto, a pé mesmo, para conhecer um pouco da cidade. Que cidade linda.

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