Viagem de moto pelos Estados Unidos

Na saida de Cañon City existe um museu penitenciário bem próximo ao hotel em que fiquei e é, na realidade, uma ala desativada do presídio a que fica colado. Evitei o quanto pude, mas na hora de ir embora a curiosidade falou mais alto, principalmente pela boa vontade da recepcionista, que abriu o museu mais cedo por minha causa.

Claro que isso me preocupou, quem sabe ela não estava pensando que eu era alguma peça que ganhou um fim de semana de folga e estava na hora de voltar?

Câmara de gás desativada, já que agora as execuções são mais "humanas": injeção letal na veia.

Maioridade penal era a partir do momento que o garoto cometesse um crime. Esse menino, com 11 anos de idade em 1904, foi condenado a 25 anos de reclusão por ter matado um comerciante para roubar-lhe o relógio de ouro. Na foto, ele já está com a roupa de presidiário.

Marcha para o Oeste

Uma cela feminina típica de 1920 e uma atual. A maior diferença é que não são permitidos bonecas, bichinhos e outros objetos pessoais.

Marcha para o Oeste

Embora seja apenas um museu, cujo objetivo e mostrar informações sobre uma época, a verdade é que a gente não se sente bem por muito tempo ali dentro. É como se existisse uma vibração negativa, que acaba por nos incomodar e confesso que senti um grande alívio quando sai com a Helô e peguei a estrada.

Após sair daquele ambiente sombrio, nada como pilotar uma moto para desintoxicar. Próximo a Florissant, dei uma parada para consultar o mapa, já que o GPS tem mania de nos enviar para as Highways. Enquanto estou olhando o mapa, um casal em uma BMW estaciona ao meu lado e oferece ajuda. Os dois, Vin e Eva, estão rodando o mundo. Ele é australiano e ela polonesa. Ele saiu da Austrália e foi para a Europa, de lá para a Africa e agora Estados Unidos. No próximo ano ele vai para o Brasil e já combinamos um encontro em Cabo Frio. É a fraternidade dos motociclistas.

Este "empório-cafe-saloon", em Hartsel, além de muito antigo é famoso na região por ser um point de ciclistas e motociclistas. Na hora em que estava chegando para almoçar, este casal estava saindo. Faltavam ainda 400 milhas para chegarem a seu objetivo que eles pretendiam alcançar dentro de uma semana. Deixei os loucos para lá e fui tratar da minha barriga, pois estava morrendo de fome.

Marcha para o Oeste

O tal empório parou no tempo, aqui dentro se respira história. A mesa dos velhinhos é a mais barulhenta e onde a cerveja desce com mais generosidade. Quando eu pedi " ice tea" baixinho, a dona que me servia deu um berro "- ICE TEA?" e todos ficaram em silencio me olhando. Fiquei tão encabulado, mas ao mesmo tempo puto que mandei em português e em alto e bom som : "- ...Porra, então bota qualquer merda aí !". Se ela entendeu ou não isso é outra história, mas ela trouxe o puto do chá gelado.

Agora, o hambúrguer é que foi flórida, levou mais de 30 minutos para ficar pronto, fiquei caladinho, pois naquela região se você fala que está com pressa eles mandam você procurar um McDonalds. Em compensação, veio um hamburguer que quase não cabia naqueles pratos grandes. Uma coisa de louco, só não tirei foto por que fiquei com medo da mulher empombar. A velhinha era brava pra cacete.

Batatinha frita descascada é para fracos, a batata vinha com casca e o que mais tivesse por perto. O hambúrguer tinha quase 3 dedos de espessura e era carinhosamente envolvido em bacon pingando gordura. Se meu cardiologista, o Dr. Julio Melhado, souber disto, me processa. Mas sobrevivi.

Após pagar, fui ao "rest-room" tirar água do joelho e outra surpresa me aguardava: um enorme quadro negro na parede, com giz e tudo onde, ao invés de escrever na parede e na porta, os usuários colocavam suas teses, teorias e xingamentos ali. Claro que não me fiz de rogado e mandei lá: "Hélio from Brasil and FODA-SE !". Afinal, era o que todos esperavam de mim, não é mesmo ?

Marcha para o Oeste

Depois das peripécias do dia, acabei encontrando um hotel em Leadsville e, muito cavalheiro, cedi minha vez para duas velhinhas no atendimento da recepção. As duas eram as líderes de uma excursão da First Baptist Church de algum lugar e tive que aguardar o registro de uns 30 velhos por causa disso.

O pior estava para acontecer.

Mais tarde, após tomar um banho, resolvi sair para comer algo. As velhinhas estavam sentadas nos bancos do lado de fora apreciando o pôr do sol e eu, malvadão, subi na Helô cheio de "marra", liguei a danada e, com todos os olhos grudados em mim, preparei-me para A arrancada definitiva. Mal soltei a embreagem e o mundo desabou: a Helô deu um salto de uns 50 centímetros e atirou-se ao solo. Eu, como uma peça de salame, sai rolando e parei aos pés do banco onde 4 velhinhas seguravam o riso. Ao final, veio um velho me ajudar a levantar e queria me ajudar a levantar a moto, mas segurando a lanterna traseira. O que aconteceu ?

O lance foi o seguinte, algumas pessoas (muito bem intencionadas) viviam me aconselhando a comprar uma tranca para a Helô. Sou tão desligado com isso que até hoje não ativei o alarme da Thaís. De tanto ouvir, comprei a bendita tranca, aquelas com segredo, linda. Deixei-a guardada no bagageiro esse tempo todo. Hoje resolvi utiliza-la. Dá um trabalho miserável desenroscar aquela goiaba, mas finalmente consegui. À hora do jantar, as vans aguardando os velhinhos entrarem, resolvo também sair para comer algo. Claro que esqueci de tirar aquela bosta e foi uma "vaca" homérica. A primeira foto é a marca do pneu dianteiro no chão, a segunda mostra um dente quebrado da tranca e a terceira mostra o local para onde devem ir TODAS as trancas: LIXO !

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