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América do Norte, California, USA

 

San Francisco

 

Chegar a San Francisco foi simples, pois a US – 101/N nos deixou próximo a Golden Gate Bridge, que era a nossa referência para chegarmos a 580 Geary Street, onde reservamos um apartamento no Hotel California, da rede Best Western.

 

A cidade cenário do filme Bullit – com suas ladeiras em degraus – é impressionante por conciliar o moderno e o antigo, concedendo a ambas arquiteturas – dos grandiosos prédios futurísticos e casas do passado – o mesmo cuidado, assim como aos trolleybus e os antigos bondes, quase artesanais. Cosmopolita por excelência, na rua há uma algaravia de línguas e pluralidade de tipos nacionais, que lembra Nova York. Carros, motocicletas e bicicletas de polícia vistos por toda parte, mostram a preocupação e o cuidado com a segurança.

 

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Saímos à pé pela Post Street para comprar alguma roupa de frio na North Face store e acabamos indo até China Town passear, porque o comercio nas grandes lojas somente abre às 10:00h. Em seguida, caminhamos pela Market Street, em direção ao cais do porto, para almoçar no Pier 39.

 

Sofri um bocado, porque acompanhar o Robertinho andando tem que ser de bicicleta; o cara caminha rápido pra caraca e eu sofri correndo atrás.

 

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O local parecia que estava em festa, tal a quantidade de turistas. Como não achamos o Fisherman’s Wharf, escolhemos um restaurante que nos pareceu bom. O Robertinho pediu um peixe e eu fui na onda. Porém, ambos “morremos afogados” porque deixamos quase toda a comida; tudo era gorduroso demais.

 

Depois fomos a uma Harley-Davidson Store para comprar óleo do motor (reserva) e não vimos nada de interessante; ou nós dois temos em comum não sofrer da compulsão de comprar o que não precisamos.

 

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Na volta para o hotel, resolvemos pegar um taxi. O motorista puxou conversa em um inglês atravessado, que dava para entender com algum esforço da nossa parte. Disse que era indiano, estava há um mês em San Francisco, como ilegal. Nos mostrou o livro que escrevera sobre a sua viagem de bicicleta pela Asia e América do Sul, quando conheceu São Paulo, Rio de Janeiro e o norte brasileiro. Há dez anos não vê ninguém de sua família. Me pareceu um homem triste e até um pouco assustador. Quando comentamos que estávamos viajando de moto desde o Brasil, deu um grito de espanto e seus olhos adquiriram um novo brilho. Queria saber os detalhes da nossa viagem. Quando comecei a enunciar os nomes dos países que atravessamos me corrigia, insistentemente, perguntando se não tinha esquecido algum e qual a fronteira que tínhamos passado. Não satisfeito, ou um pouco desconfiado, pediu para ver nosso passaporte. Eu lhe entreguei o meu, um pouco preocupado. Enquanto dirigia vagarosamente, próximo a calçada, folheava avidamente e observava cada detalhe inscrito com a máxima atenção. Ficou maravilhado com o visa americano. Achou bonito o visa do Canadá; e a cada visto dos países que atravessamos que ele descobria, exclamava o nome do país com um grito contido de felicidade e admiração. Me parecia que estava sonhando, acordado. No momento, achei o homem um pouco louco e fiquei preocupado, até que me devolveu o passaporte. O Robertinho, incomodado, pediu para parar o carro para saltarmos, imediatamente. Ele somente dizia “calma, está tudo certo, estamos chegando”. Parou o taxi em frente ao hotel e não queria aceitar o dinheiro da corrida, alegando que iríamos precisar do dinheiro para o resto da viagem. Insistimos bastante para ele receber e recebeu contrariado. Me pareceu ter ficado triste por não termos aceitado o seu presente. O cumprimentamos pela viagem e pelo livro, além de lhe desejarmos sorte.

 

À noite, eu não conseguia dormir pensando no viajante da bicicleta. Fiquei triste também por não ter aceitado o presente que nos foi ofertado. Agora, ponderando o episódio, sem medo, entendia exatamente o que tinha acontecido. O homem indiano ficou feliz em saber da nossa viagem e depois de se certificar da nossa história no passaporte, nos aceitou como seu igual. Ali, engaiolado no taxi, jazia um espírito alado – na outra extremidade do espectro humano, existem os que ainda se arrastam como serpentes no chão – que momentaneamente estava impossibilitado de voltar voar. A oferta de seu presente era apenas a tentativa de se sentir participando da realização de mais um grande sonho. Daqueles grandiosos, que nos possibilitam nos sentir além das nossas próprias limitações.

 

Comentários (2)

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Estou lendo todos os dias e é uma viagem fantástica. Diogo "é" e não "foi" pois, cada que ler, vive tudo como se presente fosse. Esse último parágrafo foi de arrepiar. Quantos espíritos estão rastejando quando só queriam voar? W - RJ-BR

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Estou acompanhado a viagem de vcs e torcendo para que tudo de certo. Vocês estao me proporcionando uma imagem de um sonho de minha adolescência. Um Tríplice e Fraternal Abraço. Que o Grande Arquiteto do Universo os acompanhe nessa jornada épica!!!

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