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América do Norte, México

San Miguel de Allende – Oaxaca (Parcial = 746 Km / Total =35.673 Km)

Hoje, viajei usando o mapa Garmin do Mexico, porque ontem a noite conversei com o Magnus Valente - o amigo de Billings – através do Skype e ele me ajudou a analisar o problema do meu navegador e a concluir a aquisição do mapa. Realmente, o GPS ajuda muito, principalmente, quando estamos em uma grande cidade. No caso de localização de hotéis, anteriormente, ao chegar a qualquer cidade era preciso procurar os hotéis. Dependendo das circunstâncias, era uma luta danada. Agora com o GPS, inclusive, se não tiver o endereço, basta selecionar “pontos de interesse” e “hotéis”, que o sistema fornece uma lista dos nomes, por ordem crescente de distância do ponto, onde a moto esteja. Basta selecionar, que o GPS nos leva até lá. É uma tranquilidade. Porém, na estrada, mesmo com o navegador funcionando, acompanhar a sequencia de placas de sinalização identificando os nomes das cidades, ainda é fundamental. Pois, surgiram situações aqui no México, que geraram dúvidas e tive que decidir. Então, estar acompanhando a sequencia de placas foi essencial.

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Outra vez parti com o Sol nascendo. Com o tempo se tornando cada vez mais nublado, estava frio na estrada. Estou em permanente estado de tensão, porque o ruído na Electra ainda continua e vez por outra, o sistema elétrico ainda apresenta o mesmo indício de pane e depois a luz do ABS fica acesa. Quando desligo o motor e ligo, novamente, fica tudo normal. Mas, a máquina como um todo continua a funcionar normalmente, e nos trajetos a estrada está boa e há suficientes postos de gasolina (Premium = $10.43 / l).

Com o longo tempo de viagem, venho adotando algumas rotinas: quando é possível tomo café da manhã; normalmente, bebo bastante água no trajeto e somente vou comer algo, quando chego ao hotel. Assim, evito o problema do sono na estrada e estou emagrecendo. Mesmo porque, geralmente, a comida não tem me feito bem.

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Há algum tempo parei de fazer reservas em hotel. Então, procuro partir cedo e chegar cedo na cidade de destino. Caso haja dificuldade para se conseguir hotel, ainda haverá luz para ir em frente.

Seguindo no rumo sul, a estrada subiu mais uma serra, cheguei aos 3.000 m de altitude, ficou mais frio e a seta de direção do GPS parou de indicar a direção. Mas, segui as placas para Puebla e depois, o GPS voltou a funcionar.

 

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Entrei em uma cidade com muito trânsito pesado e calçamento destruído, o que, junto com o mal tempo, tirou o meu ânimo para visitar Puebla. Segui pelas estradas de cuotas, onde algumas casetas de cobro não aceitam cartões de crédito, assim como alguns postos de gasolina.

Apesar de pretender ficar apenas essa noite em Oaxaca, consegui me encontrar com o amigo Antonio Braga, antigo aventureiro que já foi de motocicleta a Prudhoe Bay (Alaska), Ushuaia e a outras partes do mundo. É uma alma encantadora, que mesmo passando por momentos de sofrimento, continua a irradiar tranquilidade e paz. Deu-me toda a atenção e fomos passear e jantar na mais bonita Praça de Armas das Américas. Conversamos muito sobre suas viagens solitárias e ele enfatizou muitas informações importantes, sobre as quais eu tinha vaga idéia.

Uma pessoa local e desconhecida, que estava na mesa ao lado, que procurava participar da nossa conversa, fez o assunto migrar para o problema dos narcoterroristas. Ela nos esclareceu que há menos de uma semana, em Monterey, um grupo de narcos chegou de camionete no Cassino Royale, entrou com uns galões de gasolina, ateou fogo na parte interna, trancaram as portas e 72 pessoas morreram carbonizadas. O norte é onde prevalecem com mais intensidade as suas operações devido a proximidade com a fronteira, onde está o principal mercado consumidor de drogas, que são os EUA. Lavam o dinheiro comprando à força os negócios das pessoas honestas, tais como bares, restaurantes, cassinos, comércio de ouro, discotecas etc. Além de transferir seu negócio aos narcos, o comerciante deve continuar como dono, no papel, e trabalhar para eles. Se não aceitar o contrato, assina a própria sentença de morte. As autoridades do governo, justiça, policiais, militares etc sofrem o mesmo tipo de agressão: se atrapalharem os negócios dos narcos, são assassinadas. Por isso, algumas autoridades optam pela submissão, sendo cooptadas por uma vida de luxo e tranquilidade, entregando a nação aos narcotraficantes. Comentou que no sul mexicano, para onde sigo, está mais tranquilo, com exceção das regiões dos grandes polos turísticos, como Cancun, onde há maior demanda por drogas. Pensei que esta minha viagem me exigiria apenas austeridade, habilidade e resistência física. Mas, a exigência principal está sendo sobre a minha capacidade de manter o equilíbrio, frente às muitas pressões psicológicas. Creio que por isso, demorei tanto a entrar no México. Porém, já rodei centenas de quilômetros e até agora não percebi nenhuma ameaça e não vi nada de mais.

Agora tenho que me preparar para suportar as tensões regionais, provocadas pela miséria e os Maras, além da burocracia extenuante para atravessar as fronteiras na América Central.

O filho do Antonio veio jantar com a gente, quando tomamos cerveja Corona e comemos um prato típico local, a Tlayuda, à base de creme de feijão preto, carne seca, legumes e um queijo especial. Foi um prazer e uma honra conhecer, pessoalmente, o motociclista aventureiro Antonio Braga (Electra Standard), que costuma a receber com amizade todos os motociclistas brasileiros que passam por aqui. Da nossa conversa concluí que o Antonio Braga (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) é um viajeiro solitário por gosto e de grande experiência de longas viagens de moto, além de perceber que a sua personalidade generosa cativa a todos, que têm a felicidade de encontrá-lo pelo caminho.

PHD Artur Albuquerque

http://phdalaska.hwbrasil.com
www.phd-br.com.br

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