alt

América do Sul, Peru

Trujillo – Lima (Parcial = 592 Km / Total = 42.217 Km)

Mal se sai da cidade e a estrada logo adentra o deserto. Mesmo com sol, fazia frio. E quando o tempo fica nublado, mais frio ainda.

O dia de viagem tem começado com longas retas e o vento forte sempre soprando sem parar. Quando surge alguma construção ao longe, na estrada, pode apostar que são casebres, mostrando a pobreza comum às regiões do Peru. Mas o povo se distingue pela cordialidade e pela dignidade, porque não vi nenhum peruano a esmolar ou a tentar arrancar-lhe una plata, com aconteceu em vários países por onde passei.

Na estrada, mesmo quando parava nas choupanas que funcionavam como bar, sempre me senti seguro porque me trataram com cordialidade e sempre foram solícitos em conversar e me fornecer qualquer informação.

Na passagem pelo Peru, o único inconveniente tem sido o recorrente achaque da Policia Carretera. No meio, na entrada e na saída de cada cidade, mesmo em um mínimo povoado, há sempre policiais à espreita e por isso é primordial se estar na velocidade indicada. E o assedio às vezes é agressivo e se repete constantemente, na maioria das cidades. E pode ocorrer até em algum cruzamento no meio do deserto. A incidência é tamanha, que até prejudica muito o ritmo da viagem. Sempre venho usando o mesmo recurso de sorrir e me identificar como militar, o que tem dado certo. Alguns pedem minha identidade e nada mais. Até que hoje, fui abordado por um tenente da Policia Carretera, que me pediu o SOAT – Seguro Obrigatório de Acidente de Trânsito. O baixinho, atarracado e agressivo não me deixava falar. Entre cada frase, dava uma cusparada para o lado. Depois de ler a lei para mim, disse que eu seria multado e minha moto, apreendida. Depois da encenação passou a situação para um sargento, mais sociável, que provavelmente era incumbido de negociar o valor financeiro da liberação. Ou seja, um cria a dificuldade e o outro vende a facilidade. Mas, a encenação foi tal que resolvi entregar os poucos soles que eu tinha na carteira e o sargento rapidamente os colocou no bolso. Avisei que não tinha mais dinheiro e que não queria ser parado novamente, até Lima onde compraria o seguro. Em seguida, lhe mostrei a minha identidade militar e lhe informei que era coronel da Força Aérea Brasileira e que estava indo para Lima visitar uns amigos oficiais das Forças Armadas Peruanas, e que se não fosse possível resolvermos ali, provavelmente eles teriam uma melhor solução. O sargento arregalou os olhos e me pediu licença para chamar o tenente. O tenente voltou, cuspindo mais ainda e me pedindo mil desculpas pelo mal entendido e queria devolver o dinheiro. Argumentei que não queria de volta, que aceitassem como uma contribuição. Perguntou se eu iria Embaixada ou Consulado e lhe respondi que não. Implorou muito para eu não comentar nada com os meus amigos, porque ele poderia ser muito prejudicado, se eles não entendessem que “ele estava apenas cumprindo o que manda a lei”. Depois que eu lhe garanti que não comentaria nada, me deu as boas vindas ao Peru e me liberou sem pedir mais nada. Depois desse episódio, não fui importunado por mais nenhum policial, o resto do dia de viagem. Mas, já levava comigo mais uma preocupação: resolver o SOAT na primeira oportunidade.

Mais do que tudo, a estrada tem servido para me acalmar. Boa parte do tempo, a Panamericana segue paralela ao mar. Chama a atenção a preponderância da quantidade de casebres, que fica à beira mar. Não há casas de luxo ou estrutura para explorar o turismo. A aparência reinante é de desolação.

Tinha planejado pernoitar antes de Lima. Mas, com dificuldade de achar alguma placa, quando dei por mim, a carretera panamericana já estava adentrando Lima. Então decidi ficar no primeiro hotel que aparecesse às margens da estrada. Logo, do lado direito, avistei o hotel Ritz. No mesmo quarteirão há uma casa de câmbio, onde me informaram que eu poderia comprar o SOAT no banco de La Nacion. Fui ao banco e me informaram que SOAT para estrangeiro somente na seguradora La Positiva, que fica no centro da cidade, através de um trânsito, que até os taxistas refugam a corrida para evitar. Como estava cansado, resolvi deixar para o outro dia, enquanto ponderava se devia ou não pagar $500 Soles com validade para 1 ano, que seria usado apenas por 3 dias.

No hotel, o sinal de Internet estava ruim e não havia como postar as fotos. Escrevi um pouco e a estafa, mais pelo estresse da policia do que pela estrada, me “apagou”.

PHD Artur Albuquerque
http://phdalaska.hwbrasil.com
www.phd-br.com.br

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar este artigo.

Deixar seu comentário

  1. Postando comentários como visitante. Cadastrar ou login na sua conta.
0 Caracteres
Anexos (0 / 3)
Compartilhar sua localização

CADASTRE-SE PARA RECEBER AS VIAGENS PUBLICADAS

Você poderá sair da lista de e-mail a qualquer tempo.

Livros sobre viagens pela América do Sul e Himalaia