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América do Sul, Argentina

Tocopilla – Salta (Parcial = 867 Km / Total = 45.057 Km)

Na primeira partida do motor, pela manhã, quando coloco a Electra na vertical e recolho o descanso lateral, aciono o botão de start e ela pega de primeira é sempre uma grande felicidade, pois fortalece a esperança de que na estrada transcorrerá tudo bem.

Parti cedo com a idéia de pernoitar em San Pedro de Atacama. O deserto estava frio e a estrada, como de costumo, perfeita e livre. Percorri menos de 300 km e cheguei ao meio dia em San Pedro. A cidade estava cheia de turistas e os hotéis, ocupados. Segui para o posto de fronteira, fiz a imigração e a aduana de saída do Chile e rumei para umas das passagens que atravessa a Cordilheira dos Andes, chamada Paso de Jama. Agora, com a ideia de dormir em San Salvador de Jujuy, na Argentina.

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Nas viagens de moto, principalmente se for solo, ter a capacidade e realizar o preparo antecipado para poder flexibilizar o planejamento é fundamental, pois as variáveis são muitas e nem sempre previsíveis.

Duzentos quilômetros depois, subindo a Cordilheira, chego ao posto de fronteira, aduana e imigração, da Argentina, a 4.400 m de altitude, onde encontrei com 3 motociclistas argentinos com suas motocicletas BMW. Conversamos um pouco sobre a minha viagem e fomos juntos até o posto de gasolina da YPF, onde aceitam tarjeta.

Enquanto eles lanchavam, me despedi e um deles fez questão de se levantar, me dar um forte abraço e dizer próximo ao meu ouvido: Suerte! Hermano. A espontaneidade do irmão argentino me emocionou, pois pelo abraço percebi a solidariedade, o respeito e a admiração pela magnitude da minha viagem.

Parti sozinho, porque o ritmo deles seria bem mais rápido do que o meu. E assim, continuaria de qualquer jeito, solo.

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A paisagem na Cordilheira é fenomenal. Com um céu pleno de um azul infinito, o Sol aquecia e iluminava até a minha alma, que estava repleta de felicidade. Então, pensei na minha esposa, Claudia: como ela adoraria estar ali, compartilhando toda aquela experiência comigo. Percebi como um privilégio estar pilotando a minha Electra naquele lugar. Ninguém a minha volta. Estava preste a entrar naquele imenso caldeirão formado por aquelas montanhas descomunais. Era como se o mundo estivesse mostrando toda aquela beleza somente para mim.

Depois de uma grande reta, a estrada começa subir mais, até atingir a primeira borda norte do caldeirão, a 4.850 m de altitude, onde o gelo se mantem, mesmo no verão. O frio é tanto que dificulta até tirar fotografias. Mantenho-me atento as indicações do Mal da Altitude e me previno praticando a hiperventilação. Mesmo assim, sinto uma estranha euforia, que me faz rir de felicidade ao me sentir privilegiado por estar pilotando a minha Harley, mais próximo do espaço infinito. Num rasgo de imaginação, percebo, às margens da estrada, os soldadinhos de gelo enfileirados, como se estivem prestando continência para o viajante solitário; que como velho soldado, não resistiu a responder a honrosa saudação. Era melhor sair logo dali, antes que resolvesse parar para conversar com eles.

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Atingido o topo, começa a descida para o fundo do caldeirão, quando se vislumbra um grande planalto, com altitude média de 4.500 m, totalmente cercado pelas montanhas.

Estrada perfeita, bem balizada, longas retas e curvas de alta velocidade. O motor da Harley girava a 3.500 RPM sem esforço, como se a Electra estivesse planando no ar. Olho para a esquerda e percebo que os picos da Cordilheira parecem estar na altura do meu ombro. Incrível! Depois de percorrer o fundo do caldeirão, começa a subida na borda sul, que atinge 4.700 m de altitude. Descendo a cordilheira, alguns declives acentuados e curvas fechadas demais e areia com seixos na estrada, onde o perigo está à espreita.

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Seguindo em frente, surge a bela cidade turística de Purmamarca. Impressionante a paisagem e suas montanhas com várias cores e tons. Percorrendo boas estradas, sem ser incomodado por ninguém, cheguei a San Salvador de Jujuy.

Ainda estava claro e me imaginava bem perto de Salta. Já sonhava com o salto do dia seguinte, que me levaria até o Brasil. Então, achei um posto de gasolina que aceitava cartão e segui em frente. Junto com a noite, cheguei a Salta e entrei no primeiro hotel que apareceu junto à estrada. Mesmo sendo interior, na Argentina é possível se sentir mais tranquilo.

PHD Artur Albuquerque
http://phdalaska.hwbrasil.com
www.phd-br.com.br

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