Viagem de moto pelas Américas

Cheguei a Quito hoje. Cidade grande é F... Mas estou num bairro legal.

Recapitulando um pouco ... A partir de Lima é que tomei a Panamericana rumo ao norte. Ela leva até o Alaska, mas vai se modificando e se perdendo por aí, entre as cidades e paises.

De Lima ao Norte foram mais 1300 km de deserto, uma paisagem monótona mas bonita. Passei por cidade grandes, Chimbote, Trujillo, Chiclayo. Em cada cidade, trânsito e calor, enxame daquele táxis triciclo adaptados de motos 125. A oeste sempre o Pacífico. Quando o ar esquenta, sopra um puta vento dali, que atrapalha bem e que vai soprando areia das dunas para o lado do deserto.

Achei que não faria 1000 km nesse dia (sábado), mas fiz 1010, porque depois de Chiclayo tem uma reta de 217 km até Piura, onde dormi. Cidade bem ao norte do Peru, num lugar pobre, mas é super boa. Depois vi perfuração de petróleo mais acima, e acho que é por conta disso. O hotel na plaza de armas era bem chique, e até "lavaram" minha moto. Enquanto tomava cafè, um miguelito resolveu pegar balde, àgua e sabão e tirar a sujeira de 7000 km na unha. Lavou até a corrente que eu tinha acabado de engraxar!! Dei dois soles.

Depois, mais 300 km até a fronteira com o Equador. No caminho, boa praias. Tive vontade de ficar em Mancora, bem legal, mas fazer o que, tinha que seguir ... Os trâmites custaram 3 horas e mais um pouco. Muito trampo. Peguei um jumento do lado peruano e depois, no equador, tem que fazer um seguro SOAT obrigatório, e pra isso entrar na cidade de Huaquillas. Era domingo. Entáo tinha um aviso pra ligar pra tal numero, quem quisesse o seguro. Fui a um locutório, num puta calor, de roupa de cordura, chamei a tal mulher e dei sorte de conseguir. Custou mais que o normal, dez dólares. A moeda no Equador é o Dólar. Tirei cópias que faltavam (passaporte, tarjeta de imigração, habilitação pra dirigir, seguro SOAT, documento da moto, carimbo de ingresso) e voltei à aduana. Tinha um casal de israelenses numa Kawasaki do Texas dando entrada, esperei e depois deu tudo certo. Na saída do Peru encontrei, chegando, dois ingleses um em uma KTM 990 e outro na GS 1200 pra uma viagem de 4 anos por todo o mundo, incluindo trecho off road. Punk ! Segui tardiamente para Cuenca, na Panamericana Norte. Foi difìcil, tráfego intenso (vacaciones e fim de semana) e muitas curvas. Serra lembrando as nossas de Ubatuba, coisa assim, mas bem mais elevada. Quando a bola do meu desorante rollon sarrta fora é porque é alto o lugar. Cuenca é uma cidade muito bonita, histórica, sobre as ruínas incas, como Cuzco, Lima e Quito. Ótimo preço, restaurante e hotel. de lá pra cá mais 500 km em 8 horas de curvas e cidades, e placas ausentes ou obtusas.

Polícia no Equador não tem ou é tranquila, até aqui, vamo ver.

Balanço do Peru:

Buenas carreteras, não tem buraco. 0 problema com polícia, ao contrário, foram legais, povo buena gente. Seguro SOAT (35 doletas) náo me pediram. E vale só para o país. Pedagio moto não paga (no Equador paga 20 cents), mas também nunca se sabe por onde passar. Às vezes é no matinho do lado, outras pela contra mão. Cartão de crédito é dificil, e dinheiro só sai 100 soles por vez, a uma taxa de 12!! Caminhões, tranquilo, não são assassinos como no Brasil, mas gostam de fazer a curva aberta. Mantenga siempre su derecha!! Gasolineras, tranquilo também.

Valeu pessoal. Quem resolver vir pra Macchu Picchu, é isso aí.

Amanhã a proa é Colômbia.

Abs.