Viagem de moto pelas Américas

Saudações acreanas!

Hoje é meu último dia no Brasil. Já foram 3.700 km. Minhas mãos estavam inchadas hoje cedo de tanto pilotar. Os calos saltados. A estrada hoje foi uma baba perto do trecho de ontem. Os buracos, caminhões e o período noturno, em 1079 km, me cansaram demais. Estava tão cansado que não tinha fome, e demorei pra dormir. Mas o hotel em ARIQUEMES foi ótimo. Que hotel legal, parecendo o estilo americano de hotéis de beira de estrada, com vagas do carro bem na frente dos quartos, térreos, alinhados.

Desde ontem, por onde passo, as pessoas se aproximam, são simpáticas, é legal! Hoje cedo em Ariquemes, no posto de gasolina, um senhor de moto veio conversar. É diretor da Associação Comercial, e estava todo orgulhoso da cidade, do Recinto de Exposição, onde está ocorrendo um rodeio que segundo ele só perde para o de Barretos. Ele gostou de falar com um paulista, e de ter a minha aprovação sobre a cidade. A cidade tem cem mil habitantes, e começou com apenas quatro quadras e uma rua em 1976. E hoje a cidade é tranquila, simpática, organizada. Gostei. Jantei na calçada, sem qualquer possibilidade de ser abordado por moleques ou pedintes.

Restaurante A Princesinha, Rio Branco, AC

No caminho entre Ariquemes e Rio Branco, novamente passei por muitas e muitas fazendas. Só que aqui as terras são mais largadonas, menos desenvolvidas. Parece que basicamente eles desmatam, fazem um pasto básico e colocam um gado meio magro. Mas ainda assim é bonito. As árvores são muito altas, na base de quarenta, cinquenta metros de altura. E sempre ao fundo se vê a fronteira com a floresta, alta, imponente, linda, ainda não derrubada. Vejo sempre muitos bichos mortos na estrada. Bichos silvestres. Dá dó.

Atravessei o Rio Madeira novamente, de balsa. Dei sorte; foi chegar e ir entrando. Nem pedi licença e nem me cobraram nada. Paguei pra ser correto, do outro lado do rio. É interessante rodar nos limites do Brasil, ladeando Bolívia e Peru. Pensar que onde estou era Bolívia há cem anos, coisa assim.

Rio Branco, AC

Rio Branco se parece muito com as cidades novas daqui do norte, que já conheci, como Porto Velho, Boa Vista. Só fica bem atrás de Manaus. É organizadinha, pequena. Achei o Motul 5100 e fiquei contente. Estava com medo de não achar em Cuzco.

Estou super ambientado na estrada. Me sinto muito bem na estrada. Hoje comecei a tirar fotos. Estava com preguiça, mas já passou. Estou repetindo muito as roupas. Uma porquice. É que não vou lavar roupa de jeito nenhum. É muito chato. Só ponho roupa limpa à noite, depois do banho, quando chego ao destino.

Retorno com notícias do Peru.

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