Viagem de moto pelas Américas

Hoje escrevo de Cuzco, região central do Peru, e capital do império Inca. Nem sei como começar a contar tudo. Fiquei tão entusiasmado hoje na carretera, impressionadíssimo com a beleza da cordilheira dos Andes, que nenhuma foto que tirei fará jus.

Saí o mais cedo que pude de Puerto Maldonado (Amazônia peruana), depois de fazer o seguro obrigatório SOAT e arrumar tudo. Estava uns trinta graus por lá.

No dia anterior tinha feito um passeio bem legal no meio da selva, num parque que tem um lago muito bonito. Voltando um pouco, não pretendia inicialmente ficar mais de uma noite em Puerto Maldonado, primeira cidade em que cheguei no Peru, mas estava muito cansado, com uma certa fraqueza e dor de cabeça e conclui que era por causa dos cinco dias andando de moto direto, e sempre sem almoçar, porque não há paradas nessas estradas do norte do Brasil e dentro do Peru. Também havia perdido uma hora e meia com a burocracia da aduana e imigração do Peru. Então me dei um dia de descanso, e estou hoje um dia atrasado. Pois bem, aproveitei para conhecer um pouco da Amazônia, só que no Peru. É maravilhosa a floresta, seguindo o padrão de árvores altíssimas que vi no Brasil. Naveguei pelo rio Madre de Dios, que nasce aqui em Cuzco, do degelo das altas montanhas, e vem descendo vertiginosamente até a planície amazônica. Esse rio no Brasil é o rio Madeira. De novo o rio Madeira, no qual já passei cinco dias navegando, e agora, nesta viagem, tive de atravessá-lo de balsa para chegar ao Acre. Nadei muito no Lago Sandoval, um lago formado pelo próprio rio Madre de Dios, caminhei pela floresta, com guia, è claro, e comi uma comida típica de arroz com pollo feito numa folha de bananeira.

Acabou que não descansei coisa nenhuma. Ao final do dia estava exausto pelo sol e pelo calor, e porque a tal comida típica não consegui comer muito. Alem disso, as pessoas me tratavam quase como uma celebridade, sem exagero, a todo instante me perguntando isto e aquilo, querendo tirar fotos comigo, com a moto. Não estou acostumado. Fui dormir cedo, e acordei ansioso a uma e meia da manhã! Consegui dormir e depois correu tudo bem. Agora em Cuzco também quero descansar, e assim sigo. Chego cansado, janto e durmo. No dia seguinte tenho que sair cedo, então também vou dormir cedo. E continuo rodando muito, mas não conhecendo tanto, se bem que agora isso está melhor.

Bem mais difícil è a situação do Jair, um gaúcho que encontrei hoje a tarde na estrada vindo do Rio Grande do Sul! Pode? Deve estar sempre cansado. Está há dois meses e meio e já fez parece que 6.500 km com sua bicicleta. Tomamos um chá de coca juntos. Parece que ele tem site, facebook, coisa assim. Tiramos fotos juntos, acho que ele vai colocar.

Então hoje, da planície amazônica, cheguei a mais de 4700 metros de altitude, tudo em cerca de três horas, três horas e pouco. Do calor de trinta graus, passei talvez para perto de zero, porque havia gelo ao lado da estrada. Da vegetação exuberante, passei a uma floresta parecida com a nossa mata Atlântica, depois só mato, capim, depois mais nada, só pedra e gelo. Incrível.

A rodovia do Pacífico, que me leva do Acre a Lima, no Peru, ficou muito boa. É linda, não há tráfego, não passa quase ninguém, e não tem buracos, é muito bem sinalizada. Tem é claro, infinitas curvas, muitas de mais de 180 graus. E os desabamentos são comuns também. É mais esse o perigo. Parei muitas vezes para fotos. Fiquei em estado de graça com tanta beleza.

Chegada em Cuzco difícil, porque aqui é muito grande. Ao redor do centro histórico, do qual tinha lembrança já de dezessete anos atrás, formou-se uma gigantesca e feia cidade. Então, até chegar ao centro, no horário do rush, foi difícil. Agora estou num hotel muito bom. Me permitiu guardar a moto no saguão do hotel, um belo saguão com fonte e flores, e a moto está bem no meio, como que em exposição. Tem sido assim, eu com a moto, sempre muito bem tratados.

Bem, devagar estou cada vez mais perto do Canadá, e com mais saudades de vocês, mas feliz por saber que estão todos bem e todos estão fazendo o que tem que ser feito.

PS: talvez não ligue hoje, porque tenho que fazer sempre muitas tentativas, nem sempre consigo, mas vou tentar.

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