Viagem de moto pelas Américas

Pessoal, estou no extremo norte do Peru!! Hoje fiz 1010 km desde Lima, em 11 horas de viagem. O que economizei ontem no pulgueiro de Lima, estou gastando hoje num super hotel na Plaza de Armas de Piura. Nem era a cidade que eu iria ficar - era Sullana -, mas a noite chegou e eu fiquei uns 20 km antes. Hoje é a última noite no Peru. Amanhã estarei no Equador, se Deus quiser.

Me reconciliei com Lima ontem à noite. Depois que escrevi, um taxista muito camarada me convenceu a ir ao Circuito das Águas, que era do lado do meu pulgueiro. E não é que era muito legal mesmo? Queria que a Elisa estivesse lá, pois é o lugar perfeito pras crianças. É um parque para promover educação ambiental de preservação dos recursos hídricos. Fala sobre o rio Rimac, que é o rio que abastece Lima. Fiquei lá um tempão caminhando. Tem muitas fontes de todos os jeitos, com música e coreografia, e luzes, e o povo adora. Uma da fontes tem um monte de jatos que saem aleatoriamente do chão, e as crianças vão tentando evitar de tomar um banho, mas não tem jeito, no final são surpreendidas e todas saem ensopadas. Nossas meninas iriam amar isso! Não almocei direito (cabrito com frejoles e arroz, mais um chá quente horrível) e não jantei, mas dormi bem e acordei cedo (5h) pra uma jornada de mil km. Lima não tem placas indicando quase nada. Nem para o bairro de Miraflôres tem, nem centro histórico, e não tinha pra Panamericana. Então peguei um taxi pra ajudar, e ele me guiou ate a saída, por 10 reais. Economizou bastante tempo. A cidade é caótica. Aí finalmente entrei na Panamericana, que é a estrada que liga o sul da Argentina ao Alaska.

Hoje só deserto e mais deserto. Já são três dias no deserto, em torno de 1700 km. Nem fotografei, porque as paisagens se repetem, mas são muito bonitas. O dia começou cinzento e com neblina e chuvisco, exatamente como estava em Lima ontem. E frio. Agora é inverno no deserto, mas fica com neblina e chuvisco, não chove de verdade. Parece que nunca chove. O tempo abriu só pelo meio dia. Só depois de 300 km rodando é que fui tomar meu desayuno. Foi em Huarmey. Estava na reserva, com fome, e achei um lugar super legal, simples mas bom, e que aceitava tarjeta. Passei por várias cidades grandes, como Huacho, Trujillo, Chiclayo. Depois das duas horas da tarde, depois de Trujillo, começou um maldito vento de oeste que era forte e dificultava na moto. Caramba, como xinguei esse vento! É um vento constante e forte, primo pobre do vento patagônico, e que vai mudando as dunas de lugar, e jogando muita areia na pista. Digamos que as dunas estavam atravessando a carretera. Quando o sol baixou, depois de três horas, o tempo esfriou, e o vento abrandou até parar. Foi uma benção, porque estava bem cansado. Há muitas cidades no caminho, e a rodovia corta todas elas e isso sempre atrasa a viagem. Em Trujillo e Chiclayo foi duro de passar. Todas as cidades tem congestionamento. Há um enxame daqueles moto taxis que são uma moto de 125 cc adaptados como triciclos. Eles levam de tudo. Mas depois de Chiclayo começou uma reta que só terminou aqui em Piura, a 217 km. Com o fim do vento, a viagem rendeu muito, e compensou todo o atraso de antes.

Nossa, tem uma noiva desfilando aqui no hotel. Parece uma cidade bem simpática. Estranho, porque no caminho só cidades bem pobres, embora até grandes.

Bom, já escrevi demais, é porque não falamos no telefone. Estou motivado, querendo seguir adiante.

Vou jantar e ler o guia do Equador.