Viagem de moto pelas Américas

Cheguei há pouco a Quito, capital do Equador. Fiz uma viagem curta, mas difícil, porque foram 500 km em curvas, atravessando cidades. Estou meio cansadão hoje, acho que pelo esforço de ontem. Hoje foram 8 horas de viagem. A cordilheira aqui é bonita, mas nada como o trecho entre Cuzco e Nazca. Esperava que fosse mais fácil de entender Quito (2 milhões de habitantes), mas tudo é muito grande aqui e, assim como em Lima, pedi ajuda de um taxista e cheguei a Av. Mariscal, onde fica a turistada, e que, junto com o centro histórico, é o lugar pra se ficar. Como já tive a dose ontem de centro histórico, e acredito que nada possa se comparar com Cuenca, então vim para cá. São poucas quadras. Fora disso não vou conhecer nada que não vai dar tempo. A Mitad del Mundo vai ficar pra outra. Em Roraima já conheci a divisa exata entre os hemisférios.

O Equador tem uns 14 milhões de habitantes, é o menor país da América do Sul e não faz fronteira com o Brasil. Aqui me sinto mais próximo de casa. As músicas daqui são as americanas, a comida mais internacional, sai dinheiro à vontade dos caixas, e parece que o dólar inspira mais confiança. Cartão de credito é tranquilo.

Aqui tem muitos vulcões. Vi uns lindos no caminho. A cidade de Quito fica a 2500 m de altitude, e Cuenca a 2800. Faz um friozinho... Na estrada montanhas e vales muito bonitos, bastante agricultura que é feita nos planos inclinados das montanhas, e não fazem terraços, como no Peru. É bem bonito. Um povo muito trabalhador. A terra é preta, deve ser fértil, por causa dos vulcões. Sempre há sismos também. A estrada tem um tráfego bem intenso. Gasolina custa R$ 1,20 mais ou menos, e tudo aqui é barato. Um dólar aqui rende bem. Ainda não me entendi com as moedas de dólar. Não tem o valor bem visível, e os tamanhos não regulam em nada com o valor. Nem parece coisa de americano. Hotéis aqui na base de R$ 40 ou R$ 50,00.

Não há polícia praticamente nas estradas. Na chegada a Quito fui parado, mas nem pediram documentos, só anotaram os dados que passei pra eles, como nome, placa, etc.. Não incomodam, parece tranquilo. Vamos ver amanhã. Amanhã sigo pra Colômbia, mas não sei calcular as distâncias, pois o Google Maps não calculou. Então vou indo sempre ao norte, até onde for razoável para descansar de novo.

A Panamericana, estrada em que estou, e que vai até o Alaska, era o caminho antigo dos incas também. Li no meu guia de viagem que eles iam por essa estrada até Cuzco, a capital. Era também para uma peregrinação. Imagina como devia ser. Os incas dominaram os outros povos daqui (caras e quitos) aproximadamente no ano de 1400. Cento e trinta anos depois chegou o Francisco Pizarro e acabou com a graça deles.

Esse espanhol fundou Lima e outras cidades. Basicamente saqueavam ouro e prata, derrubavam os templos incas e construíram a catedrais católicas em cima. Assim foi em Cuzco, Lima, Cuenca e aqui em Quito também. As pedras dos templos incas são a base da construção dessas catedrais. Até as plazas de armas são as mesmas praças dos incas. Mas a partir de amanhã acaba o império inca, pois era daqui para baixo, até o meio do Chile, mais ou menos.

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