Viagem de moto pelas Américas

Puxa, consegui chegar em Bogotá, a última cidade na América do Sul nessa rota. São já 9.700 km e hoje o 17º dia da viagem. A moto está bem, e eu também, embora acho que tenha emagrecido. Nem lembro muito de comer.

A chegada em Bogotá foi bem difícil. Vim de um trecho de 600 km a partir de Popayan, o último pouso, e cheguei às 5 horas da tarde local, num trânsito absolutamente infernal. Como a moto está com os bauletos laterais, eu não posso andar como uma moto, então é danado de ruim. Tem que ter paciência, e eu tenho, mas o cansaço é a armadilha. Fiquei uma hora e pouco nesse trânsito e consegui chegar sozinho ao centro da cidade, mas não achava hotel.

Nessa de andar brisando à procura de um hotel, uma moto da polícia me acertou o bauleto esquerdo. Foi um tranco sem maiores consequências, mas aí o policial me parou, parou também, e se desmanchou em gentilezas, me oferecendo ajuda, mas ele não sabia indicar um hotel. Agradeci e segui tentando achar um taxista, como das outras vezes em Cuzco e Quito, mas não se interessaram. Então, parei num estacionamento, deixei a moto, e pra resumir o dono do estacionamento me levou até o hotel Dann, onde estou. Muito bom, mas na base de 160 reais a diária. O preço do Brasil. Foi um alivio.

A cidade de Popayan, em Cauca, é uma das poucas cidades do sul da Colômbia. Dizem não ser uma região segura. Ainda bem que consegui chegar lá em bom horário. Andei bastante por lá à noite e um pouco bem cedinho, pra ver as casas antigas coloniais todas pintadas de branco. Não se trata propriamente de um centro histórico, mas de uma cidade parada no tempo. Lembrei do livro (que não gostei) Cem Anos de Solidão. As pessoas vivem lá como se aquilo fosse atual. São gente simples, mas boa. O povo da Colômbia é uma mistura de várias etnias indígenas com negros e espanhóis.

De Popayan para Bogotá foram mais 600 km. A primeira parte da viagem até a famosa (tristemente famosa) Cali, numa região de serra moderada. Depois segue-se um trecho muito bom de asfalto, e plano, até que se muda para a Rota 40 e então iniciam-se 200 km de cordilheira grossa. Região muito verde, de subidas monumentais e descidas abissais. Na cordilheira se tem a noção da dificuldade de se combater a droga, pois há infinitos lugares pra se esconder e produzir, pois a natureza é muito rica ali. Passado esse trecho mais difícil, vem um outro plano e quente, e finalmente se inicia uma subida moderada para Bogotá, que está a 2700 m de altitude. O clima muda totalmente, a cidade é fria chuvisquenta.

Hoje estou conhecendo o centro, que basicamente é a Plaza Bolívar e o bairro La Candelaria. Ali está o Congresso Nacional, a Presidência da República e o Supremo Tribunal de Justiça. Muito bonito. Também tem a Catedral. Há várias universidades importantes do país, com muitos jovens, um ambiente alegre e agitado. Muitos cafés e livrarias. E também museus do ouro, da esmeralda, colonial etc.. Não vi turistas. Outra atração é o Cerro Montserrat. É uma coisa lindíssima. Numa montanha de 500 m de altura, a 3200 m de altitude, há uma igreja construída em 1620 e ao redor um jardim belíssimo, com a via crucis inteira representada. A vista da cidade é espetacular, e se sobe de funicular ou de teleférico. Adorei. É um lugar de grande espiritualidade. Lembrei da minha tia Beth, como ela ia gostar de estar lá. Comprei um crucifixo pra ela, pequenininho, pra rezar, e depois vou levar as fotos que tirei de lá.

Agora a tarde conversei com a empresa AirCargoPack, que faz o vôo para o Panamá. Nada concluído, pois por telefone não se comprometem e me levar junto no voo. Combinei de amanhã cedo ir lá (no aeroporto) resolver isso. E daqui a pouco vou fazer a vontade de um taxista daqui do hotel e ir conhecer uma igreja de sal, do outro lado da cidade.

Aqui em Bogotá tem muitas joalherias, onde se vende ouro prata e esmeralda. A esmeralda é um clássico daqui. Pensei em comprar alguma coisa, mas ainda tenho 8 países pela frente, posso ver mais adiante.

O povo colombiano se parece bem com o brasileiro. Na mistura das raças, e na espontaneidade e alegria. São muito cordiais. Nem precisa dizer que adoraram a moto. Sempre tiram fotos, é uma alegria imensa.

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