Viagem de moto até o Alaska

Assim cheguei em Sault Ste. Marie, que se pronuncia "Su San Merry", uma cidade canadense bem próxima da fronteira com os Estados Unidos, com 75.000 habitantes, uma calma, uma ordem absoluta. Cheguei até cedo, umas oito da noite (ou dia) local. Tudo fechado, mas ainda com luz do sol.

Foi muita chuva nesse dia. Usei capa o dia todo, contrastando bem com os dias secos de 18.000 km anteriores.

Não fiz fotos no caminho, nem comi nada o dia todo. Só fiquei mesmo com o café da manhã na casa do meu irmão. Queria RODAR, RODAR e RODAR.

Em Coldwater, cidadezinha à beira da Rota 400, estreei o GPS. Funcionou bem mesmo na chuva. Eu o cobria com um saco plástico do tipo ziploc.

As paisagens com muitos lagos. Duas horas e meia ao norte de Toronto tudo muda. Não é mais cosmopolita, urbano, moderno, mas simples, selvagem. Cenas de filmes americanos. Galpões com aqueles telhados bem verticais, velhos, casas de madeira, muita floresta e lagos pra todo gosto. Nesse dia já vi a primeira advertência do tipo: Don't feed the bears! Em outros lugares, dias depois, eu podia ler: "Don't feed the hippies!".

Roteiro

Quando estava me instalando no hotel em Sault St. Marie, fui buscar as malas na moto. Nisso peguei o funil do cara lá da Cycle World e já fui logo jogando no lixo na frente do hotel. Quando vi o funil no fundo do cesto, alguma coisa me fez pensar. Onde estaria o meu próprio funil? Eu não tinha podido abrir nenhuma das malas laterais até então, porque as chaves estavam junto com a chave da moto na oficina em Scarborough. Ao inspecioná-las, vi que realmente não estava o funil. Mas como? Aí me lembrei que eu tinha deixado o funil fora da bagagem quando cheguei a Toronto em 2012, para que meu irmão pudesse colocar gasolina nova no tanque durante os meses em que a moto ia ficar guardada. Por isso o funil jaz até hoje na garagem dele. Nada mais justo, pois era dele mesmo quando ainda morava no Brasil! Engoli o orgulho, pedi perdão pela grosseria e resgatei o funil do fundo do lixo. Esse funil eu usei na viagem toda, bem como os ótimos panos que recebi na oficina. Por mais que eu os usasse pra limpar óleo e poeira, estavam sempre prontos pra serem usados de novo. Ainda guardo o funil e os panos.

Moral da história: é bom não rejeitar as coisas que aparecem para você no caminho. E esteja atento à sua intuição.

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