Viagem de moto pela Cordilheira dos Andes

Saímos do hotel em San Pedro do Atacama por volta das 8 horas e fomos para o posto abastecer as motos e a reserva, preparando para a falta de combustível na Argentina. No posto encontramos com o grupo de motociclistas Cães do Asfalto de Itajaí, Santa Catarina (Marcelo, Miguel, Nilo, Luiz, Rodrigo e Thiago/Fran). O Miguel, disse que encontrou com o Ivan, Luciano e Ruy, nossos amigos que estão em viagem para Ushuaia. O Marcelo Boleman, o grandão que aparece comigo em uma das fotos, ficou entusiasmado ao nos encontrar porque já conhecia o Viagem de Moto e fez questão de fotografar com a gente.

Depois das fotos, nos despedimos dos amigos e seguimos para a migração / aduana chilena para sair do país. A fila da migração estava enorme, de modo que ficamos lá mais de hora. Na Aduana foi rápido, um funcionário pegou as fichas que tínhamos de entrada das motos no país e nos liberou da fila.

A partir de San Pedro até o Paso de Jama na divisa com a Argentina a estrada começa a subir gradativamente até quase 5.000 de altitude. Já havia passado por esta estrada em 2009 e achei a região uma das mais bonitas que conheci em minhas viagens, mas agora estava muito diferente de quando a conheci. 

Subimos, subimos, subimos e chegamos às montanhas que ficavam acima das nuvens. Estava tudo coberto de gelo. Tivemos que pilotar com cuidado porque o asfalto estava molhado pela neve derretida e poderia ter algum trecho com gelo. Paramos para tirar fotos, apreciar o pedaço do Licancabur que estava visível e brincar na neve.

Continuamos nossa viagem, agora descendo e a paisagem foi mudando completamente, retornando as grandes dunas de areia do deserto, mas as montanhas com os cumes gelados ainda continuaram nos acompanhando por um bom tempo. 

Passamos por vários motociclistas brasileiros e de outras nacionalidades que iam em sentido contrário ao nosso, vimos lagos formados pela água do degelo e emoldurados por sal e passamos por um trecho da estrada onde chovia, mas era fraca e não durou muito. 

Chegamos na migração e aduana argentina e tivemos que esperar quase duas horas. Foi um dos processos mais burocráticos e demorados da viagem até agora.

Um ponto positivo foi que durante o planejamento da viagem eu descobri que quem tem seguro total da moto com abrangência para o Mercosul não precisa adquirir o famoso Seguro Carta Verde. Resolvemos arriscar e não tivemos problemas. Quando nos pediram o seguro apresentamos os cartões fornecidos pela seguradora, que foram aceitos.

Depois passamos por mais um alagamento na pista, onde havia, inclusive, dois veículos acidentados, um deles totalmente destruído. Mas foi fácil passar por mais este obstáculo. Acho que estamos ficando treinados em atravessar lama com nossas motos.

Passamos também pelo Grande Salar, que desta vez estava quase todo coberto de água. Lá encontramos mais um grupo de brasileiros apreciando o lugar.

Chegamos a Purmamarca, o lugar onde havia planejado pernoitar, havia uma grande festa na cidade que eles chamam de carnaval e os hotéis estavam lotados. Só encontramos um quarto com cama de casal. Buscamos no GPS hotéis nas cidades mais próximas. Passamos por Maimara, uma cidade bem feia e fedorenta e também não havia vagas. Em seguida fomos para Tilcara, onde também havia uma festa muito animada e a cidade também estava lotada. Então resolvemos ir para Jujuy, capital do estado, que tem uma estrutura hoteleira muito boa. Já era noite quando chegamos na cidade, depois de percorrer uma estrada muito movimentada com um nevoeiro seco muito estranho. Encontramos vagas com facilidade apesar do GPS não indicar nenhum hotel na cidade.

Números do dia:

Distância percorrida: 556 km
Distância total: 8.246,9 km
Gasolina: R$ 51,80
Valor por litro: R$ 2,89
Lanches: R$ 16,97
Hospedagem: R$ 74,67