Viagem de moto até Ushuaia, Argentina

Saímos de Neuquén às 9h34min, mas antes voltamos à oficina para o Kadim trocar o pneu de uma vez.

Erramos a bendita saída da cidade e depois de acertar o caminho, enrolamos o cabo do acelerador no calor insuportável das retas infernais, que nos fazia cochilar sobre as motos.

Troquei as roupas de frio por outra jaqueta com entrada de ar e calça de couro ao invés da de cordura. Tocamos com a intenção de chegarmos o mais longe possível naquele dia. Fomos direto com uma média acima de 160 por hora.

A noite chegou, mas continuamos. Passamos por um lugarejo com uma blitz de fazer medo. Radares noturnos, metralhadoras, muitos policiais aparentemente nada amistosos. Eu queria parar, Oliveira queria continuar a tocar mais 100 km para pegar dinheiro no caixa eletrônico, pois estava com pouco dinheiro.

Kadim parou uns 5 km depois de passarmos pela blitz para acertar sua roupa e eu comentei que não queria continuar, pois achava que não seria prudente tocar na noite, já eram 9h15min e somente chegaríamos ao próximo destino por volta das 11 horas devido à estrada não ter boa sinalização naquele trecho e a noite estava esfriando novamente. Comentei com Kadim que havíamos passado por um lugar que tinha hotel na beira da estrada. Kadim concordou, pois estes hotéis são mais baratos. Voltamos e passamos novamente pela blitz. Chegamos ao hotel no lugar chamado de Huinca Remanco e a diária era de 120 pesos. Uma barbada, mas estava lotado, claro. Manobramos as motos e pedimos informações sobre onde conseguiríamos outro hotel. Depois de rodar no lugar procurando hotel, achamos um barato.

Deixamos as jaquetas no hotel e fomos ao caixa eletrônico do banco Santa Cruz, perto do hotel, para retirarmos dinheiro. Um grupo de garotos com motos 125 cc nos escoltou felizes da vida por verem tantas motos grandes com motoqueiros estrangeiros. Demos a volta na quadra e estacionamos as motos na frente do caixa eletrônico. Rapidamente nos vimos cercados de crianças e jovens para verem as motos, tirarem fotos com a gente e com as motos. Eram tantos celulares e máquinas fotográficas que riamos.

Kadim e Oliveira ficaram no caixa eletrônico e eu fiquei do lado de fora, cuidando das motos e tirando fotos com as crianças e jovens de todas as idades. Eles não se continham quando eu deixava que eles fotografassem sentados na moto. Era uma loucura. Diverti-me muito fazendo a alegria daqueles pobres moradores daquela pobre cidade.

Depois eu entrei para também fazer um saque de 300 pesos. O cartão do Oliveira não funcionou e tirei dinheiro para ele no meu cartão. Quando olhei para fora do caixa eletrônico, vi luzes azuis e vermelhas piscando estranhamente. Fui ver o que era. Estávamos diante de um cerco policial com viaturas, motos e guardas nos aguardando sair do caixa eletrônico. Saí do caixa e fui ver o que estava acontecendo enquanto Kadim e Oliveira estavam sendo interrogados e mostrando a carteira de motorista. Pensei logo que eles pensaram que tinha estrangeiro fazendo algum assalto, pois não era uma atitude normal de abordagem. Eles falaram que era coisa de rotina, mas pensei com meus botões que era rotina porque viram que éramos gente boa e estávamos apenas fazendo saque, pois do contrário, estaríamos fritos. Depois de relaxarem eles foram embora enquanto nós tiramos mais fotos com os moradores e em seguida fomos descansar do dia tenso e cansativo que tivemos.