Viagem de moto pela Europa

Gênova, como cidade, foi uma decepção. Suja, com prédios em péssimo estado de conservação, quarteirões inteiros com obras paralisadas, muita gente trabalhando de flanelinha, camelôs ou simplesmente mendigando. E nota-se, nos italianos residentes, uma aversão crescente à imigração sem controle. Ainda tentei conhecer o Porto Antico, mas sinceramente, desanimei. A sensação de insegurança é grande. Apesar do estacionamento para motos ser gratuito, você é abordado por grupos de “guardadores” que tentam insistentemente lhe vender bugingangas.

Tirei 2 ou 3 fotos e peguei a estrada em direção à região de Cinqueterre (compreende as comunas de Monterosso, Vernazza, Riomaggiore e os distritos de Corniglia e Manarola). O astral foi melhorando, estradas mais apropriadas para motos e afastando-me do transito louco e coalhado de scooters do centro.

Quando chegamos ao Parque Nacional de Cinque Terre, instituído em 1999 para preservar “terraços” e muros que os sustentam e onde são cultivadas uvas naquelas encostas íngremes, a coisa ficou realmente boa. Minha curiosidade era conhecer a técnica para o cultivo e colheita de parreiras naquelas inclinações. Na realidade é uma espécie de “ovo de Colombo”: o pessoal da região desenvolveu uma espécie de carrinho que anda sobre um trilho. Na parte inferior do trilho tem uma cremalheira que se adapta ao motor do carrinho. Como os trilhos são colocados entre as plantas, subindo e descendo e passando por cada abismo que tremo só de olhar, o piloto vai colhendo os cachos e colocando no reboque preso ao carrinho. Foi a forma que encontraram de plantar naquele grau de inclinação.

Depois de satisfeita a curiosidade, segui pela estrada que, do alto, permite uma visão privilegiada do mar e das pequenas aldeias de pescadores e agricultores lá embaixo. Mas meu objetivo era Manarola, considerada Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. Trata-se de uma vila de pescadores, com suas casas onde a cor ocre predomina, parece que uma tradição da Toscana, descendo pelo costão em direção ao mar. O trânsito de carros é proibido no trecho mais próximo ao mar. Assim você tem de estacionar a 2 km do centro.

Valeu a pena a visita, a cidade é mínima e muito bem cuidada. A maioria da população (umas 600 ou 700 pessoas) na sua maior parte vivem do turismo, seja com restaurantes, albergues, venda de lembranças e outros comércios ligados à área. Pelo menos apagou a má impressão de Gênova.

Comentários (1)

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A cada capítulo dessa viagem estou mais feliz de ter pego essa "carona"!!!!
Muito show seus relatos, suas fotos... Daqui a pouco vou começar a falar de turismo na Europa como falo de ir em Caldas Novas, aqui do lado de Brasília...
Show meu camarada, show!!!
Muito obrigado por tudo!!!!
Tâmo junto!!!!

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