Viagem de moto pela Amazônia

Levantamos bem cedo, tomamos nosso café da manhã e voltamos para a estrada de Pindobal para chegar à BR-163, tendo como destino Rurópolis, onde já havíamos passado uns dias antes. Pegamos uns 60 km de terra, mas depois foi asfalto até Rurópolis, margeando o parque do Tapajós.

Depois de Rurópolis pegamos uma estrada de terra para um trecho de 110 km até a vila de Campo Verde, conhecida na região como km 30. No meio do caminho, paramos para tomar um banho em um rio para tirar a poeira e descansar um pouco.

Em Campo verde, em vez de prosseguir até Itaituba como fizemos alguns dias atrás, seguimos pela BR-163 rumo ao Mato Grosso. A partir daí a brincadeira ficou séria. O trânsito de carretas ficou muito intenso. As poacas eram enormes e quando uma carreta passava não levantava poeira, fazia um spray de terra que era jogado em nós nos dois sentidos.

A visibilidade era mínima e às vezes chegava a zero. Quando isso acontecia tínhamos que parar a moto, mas sempre atentos se não vinha uma carreta atrás.

As ultrapassagens eram momentos de perigo real de morte, pois para aproximar e tentar a ultrapassagem tínhamos que entrar no spray para esperar que surgisse uma brecha no sentido contrário, e sempre aparecia uma poaca na frente.

Foi o dia todo assim. Passando uma a uma. Devemos ter ultrapassado umas cem carretas nesse dia. Em certo momento comecei a pensar que aquilo ali estava muito difícil, quase impossível para motos. O risco de cair e ser atropelado era grande. Também era grande o risco de bater de frente com uma carreta em sentido contrário. E até mesmo de bater atrás de uma carreta. Mas isso eu evitava parando a moto quando a visibilidade chegava a zero, já que neste caso era quase certo que a carreta estava muito próxima.

Neste ritmo chegamos perto de 6h da tarde ao povoado de Moraes Almeida, contabilizando 555 km rodados neste dia.

Nos hospedamos em um hotelzinho na beira da rodovia e saímos apenas para comer um espetinho em uma barraquinha na beira da estrada, com direito a muita poeira, já que o trânsito de carretas foi intenso até tarde da noite.

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