Viagem de moto pela Amazônia

Levantamos na hora combinada, tomamos um café bem rápido e seguimos para Novo Santo Antônio, onde faríamos a travessia de balsa do Rio das Mortes. A partir dali entraríamos no Parque Estadual do Araguaia. Que beleza de lugar. Sem trânsito algum, estradas simples e com muitos animais selvagens.

Vimos raposas, veadinhos bambi e veados galheiros. Ótimo local para um passeio com a família. Paramos para fotografar um galheiro e ele chegou muito perto de nós.

Depois da sessão contemplação, finalmente chegamos à areia. Muita areia fofa. Pilotar na areia fofa é bem parecido com a pilotagem em poaca. Tem que tracionar na medida certa. Se tracionar pouco a moto sai de frente, se tracionar muito ela sai de traseira. Mas tem uma vantagem em minha opinião: a areia é bem mais previsível. Raramente encontramos pedras ou buracos embaixo. E a moto anda meio que sobre a areia e não afundada nela como na poaca.

Não demorou vieram os primeiros tombos. Primeiro o Adriano, depois eu. Quedas bobas, sem maiores consequências. Tem essa vantagem também. A areia é macia pra cair.

Prosseguimos no areal por um bom tempo apenas com alguns sustos. Em um determinado trecho com pouquíssima areia eu estava a uns 50 km/h e fui mudar de faixa. A moto derrapou e eu comprei meu segundo terreno no dia. E esse foi feio, porque o chão era duro e caí fora da estrada, mas não machuquei nada.

Por volta de quatro da tarde terminamos o trecho de areia e começou um trecho de 12 quilometro de poaca ininterrupta. Foi um trecho sinistro, mas teve uma situação engraçada. Eu tinha acabado de comprar um terreninho, coisa boba mesmo, o Adriano ficou me zoando, falando que eu ficava mais embaixo da moto que pilotando, etc. Fiquei só escutando e seguimos naquela poaca infernal. Chegou em um trecho, onde eu percebi que ela estava pior ainda. Parei a moto, tirei o capacete e liguei a câmera, ele passou por mim e quando viu que eu estava filmando quis mostrar como se pilota em uma poaca. Não deu outra, foi para o chão mesmo. Ri demais dele deitado na poeira.

Às cinco terminamos mais esse trecho da viagem. Praticamente estávamos em Goiás. Acampamos na margem do rio. Meu dedo tinha piorado muito e já não estava conseguindo mais usar a embreagem da moto. Estava muito inchado. Como o Adriano é médico, aplicou uma dose de anti-inflamatório. No dia seguinte, quando tentamos continuar, não foi possível. Retornamos e ficamos o dia todo por ali mesmo.

No dia seguinte chegamos a Luiz Alves, onde passamos a noite em um hotel na orla da cidade.