normal Perguntas De FZ6S - Salvador - Vitória - Salvador: 1000 km debaixo de chuva!!!

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19 Ago 2016 11:08 #3861 por denisperes
Valeu Rômulo! Não sei o que pode estar acontecendo com as fotos. Vou postar novamente. Um abração!

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19 Ago 2016 10:45 #3860 por Romulo Provetti
Muito bom seu relato, Denis. Parabéns pela viagem.

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Abraços

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Rômulo Provetti
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15 Ago 2016 02:51 - 10 Set 2016 14:56 #3849 por denisperes
Como eu tinha uma semana de negócios pra cumprir em Vitória, resolvi me divertir também e fazer a viagem de moto.
Planejei uma ida a Ushuaia no final do ano, mas como a esposa e a filhona aderiram ao projeto, ficou impossível fazer de moto. Então pra aproveitar oportunidade, decidi que iria de moto pra não ficar sem uma viagem de moto esse ano, ainda que muito menor.
Não me preocupei muito com a meteorologia, eu confesso. É que quando se vive numa cidade como Salvador, a gente se desacostuma a pensar em chuva.
Mesmo assim, preparei a mima moto e a minha bagagem pra toda água que pudesse cair.
Moto revisada, resolvi que não sairia no domingo, apesar de precisar chegar o mais rápido possível. Passei o domingo em casa com minha galera, e saí segunda 07:00h em ponto. Fazia sol e calor, mas tinha muitas nuvens. Levei uma jaqueta Alba, pra mim a mais eficiente pra esses casos, e levei minha roupa completa de cordura, com uma calça nova da Texx que tem um bordado que diz: "impermeável". Acreditei e fui.
Até Feira foi tranquilo, com sol, peguei a 101 e tudo de boa nos primeiros 130 km. Nesse ponto tenho que fazer um parênteses para os que podem estar se perguntando porque não sai pelo Ferry-boat.
Bem, em primeiro lugar eu não moro no centro de Salvador, na verdade meu município é Camaçari, porque moro em Busca Vida, que fica nos limites de Lauro de Freitas, início da estrada do Coco, que leva até a Praia do Forte.
O tempo que eu levo pra chegar no Ferry, que fica na Cidade Baixa, portanto do outro lado da cidade, é o mesmo tempo que gasto pra chegar no trevo da 101, cerca de 40 min. Até o Ferry ainda depende do trânsito, mas o normal é uns 40 minutos. Depois tem que dar a sorte de ter um barco saindo rapidamente, e mais uma hora de travessia. E não acabou! Mais 90 kms até Sto. Antonio de Jesus, ou seja, eu chego primeiro indo pela estrada.
Saio pela Cia-Aeroporto, e já saio em Simões Filho. É bem mais rápido. Bem segui viagem até que em Cruz das Almas, cerca de 140 kms de casa, como se diz aqui na BA, "o cacau caiu"!!!
Chovia muito e ficou tudo cinza escuro!!
Foi difícil me adaptar e encontrar o limite confortável da aderência dos pneus. Tentando frear com antecedência (não tenho ABS) pra evitar sustos.
Foi difícil.
O trecho da zona do Cacau, que normalmente já é muito úmida, tava pra lá de molhada, e mesmo que a chuva desse intervalos, a pista permaneceu molhada e muito suja o tempo todo.
Quanto mais descia mais frio fazia, e realmente a viagem foi ficando muito desagradável.
Outro problema foi a lubrificação da corrente, que a cada 100 km ficava totalmente sem lubrificação por causa do aguaceiro. Pois é, aguaceiro seca corrente!
Fui brigando com a estrada até Teixeira de Freitas, onde a pista começou a secar e as primeiras imagens de céu azul foram aparecer.
Só que aí já eram quase 5 da tarde, e já tava começando a anoitecer. Essa é a hora dos mosquitos infestarem a viseira e o lusco-fuco tornar tudo mais difícil.
Daí até Vitória foi pista seca mas na faixa de 16 graus, um friozinho gostoso pra andar de traje completo.
Na volta foi mais ou menos a mesma coisa, só que a chuva esteve presente desde a saída até depois de anoitecer, já que saí de lá as 15:30 do sábado, com a intenção de ir até Eunápolis e fazer a viagem em duas etapas pra almoçar domingo em casa com minhas meninas. E deu certo!
Bem, o que pretendo com esse relato é contribuir com os amigos que ainda não fizeram viagens médias como esta, sobre como encarar a chuva de forma tão persistente como foi a minha.
1 - Em primeiro lugar, baixar o "trem" de viagem é fundamental. Ficar numa faia segura de velocidade.
2 - Conhecer bem as reações da moto e estabelecer uma margem de segurança pra evitar solavancos é fundamental. Isso nos freios, pra você que, assim como eu não tem ABS, e no acelerador, se você, assim como eu, não tem controle de tração. Acho o ABS a maior evolução desde a invenção da motocicleta; na minha modesta opinião, é a melhoria que mais interfere positivamente na pilotagem.
3 - Bem voltando, não é só a aderência que preocupa: descobri que é fundamental comprar um repelente de água pra aplicar na viseira. Eu ainda conto com uma ajuda aerodinâmica, porque a saída de vento da carenagem da Fazer é um "limpa-vizeira" maravilhoso, mas só limpa a água. A sujeira fica! E você não tem noção da quantidade de sujeira que vai receber nos peitos quando encostar num caminhão!
E a quantidade de água que ele levanta, somado à sujeira que sai debaixo dele, faz de uma ultrapassagem um verdadeiro jogo de adivinhação: Vem vindo carro? A distância dá? Tem outro carro na frente dele?
E por aí vai.
Na chuva muda tudo.
Inclinação da moto, freadas como já disse, entrada de curvas, desaceleração, sim porque a depender das condições da estrada e de qual for a sua moto, até desacelerar pode ser perigoso.
4 - Compre uma roupa que te mantenha seco. Não conheço nada como o custo benefício da velha e boa Alba. Vai bem em cima da cordura ou do couro, e por isso compre um ou dois números maiores que o seu manequim.
5 - Tenha à mão, como eu disse, um hidro repelente para a viseira.
6 - Nem pense em viajar sem luva. Tenho aquele modelo com dedos cortados, porque facilita pegar modas pro pedágio ou a carteira na gasolina, mas a chuvinha nos dedos incomoda.
7 - Se você não usa, adote a balaclava. Nosso calor corpóreo, está 75% na região da cabeça. Se ela estiver agasalhada, e também as extremidades (pés e mãos), você não vai sentir tanto frio, mesmo que esteja molhado. Mas se estiver de Alba, ou outra marca parecida, não deverá se molhar.
8 - Conhecer os próprios limites quanto à habilidade de pilotar nessas condições difíceis é outro ponto importante. Saber se deve continuar, ou se é melhor parar e aguardar a condição melhorar, é também muito importante. Lembre-se: um acidente precisa de cinco metros pra acontecer. Se você vai viajar 1000, divida 1000 por 5 e veja quantas chances de algo acontecer pra você ver!
9 - Ter um mínimo de conhecimento da estrada, como pontos de apoio, trechos sem abastecimento, e ficar muito atento aos famigerados quebra-molas, que nem sempre estão sinalizados. Passar a 80 km por cima de um e com o piso molhado pode não ser o melhor negócio que você vai fazer na vida.
10 - Plastifique a bagagem. Um saco de lixo daqueles de 100 litros funciona bem. Eu não uso baú, uso alforges. Os meus tem capa de chuva, mas eu não uso por fora. Elas não aguentam o vento. Eu ensaco a roupa e coloco-as dentro do alforge. Fica tudo sequinho.
11 - Cuidado quando modificar as lampadas de farol. Estas lâmpadas paralelas não são eficientes quando você tem uma combinação de lusco-fusco + chuva. As originais ainda são a melhor opção. Se puder ter faróis auxiliares, ótimo, mas cuidado com lampadas muito brancas porque os guardas adoram, pra não dizer o contrário!
Acho que é isso.
E agora, mesmo sabendo que não vai adiantar nada, fica a minha crítica: São duas as estradas mais longas do país: 101 e 116. Nossas duas BR´s. As estradas são uma merda tá? É terceiro mundo mesmo.
A 101 então é assim: não tem buracos, é verdade, mas isso é básico. De Salvador até Vitória, são 1.170 km de pista simples, isso quer dizer que você pode fazer tudo certinho, ter cuidado, não correr, mas se um caminhoneiro arrebitado perder uma curva, é preciso rezar pra não estar nesta curva. A drenagem é uma vergonha, os acostamentos não existem, a sinalização oscila entre razoável e péssima, tem de tudo na pista, de jegues a motinhas chinesas cinquentinhas cruzando a pista, Treminhôes com mais de 30 metros de comprimento carregando eucaliptos, e jogando por vezes suas cascas asfalto afora, e pra terminar, você vai parar em vários semáforos: isso mesmo, passamos por dentro de várias cidades e os tráfegos se confundem, o que realmente é outro absurdo.
E o problema de fazer uma viagem como esta de moto, é que depois que você descansa, dorme uma noite de sono, fica louco pra subir na moto e pegar a estrada de novo, porque não conheço nada mais revigorante, desafiador, e desestressante do que uma boa viajada de moto!
Espero que meu depoimento traga alguma contribuição, já que por mais que a gente goste de viajar sem chuva, ela pode aparecer sem avisar e você precisa estar preparado.
Ah, a calça da texx?: Uma bosta! Além de não ser impermeável, não ventila, portanto, molha e não seca. Basicamente uma represa!
Um grande abraço e vamos pra estrada, porque se todo mundo andar de moto, não tem congestionamento!!!!

Um abração a todos, e se passarem por Salvador, dá um toque!
Ultima edição: 10 Set 2016 14:56 por denisperes.

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