Viagem de moto pela América do Sul - Bolívia

Conforme planejado, acordei bem cedo, fiz checkout, montei a bagagem na moto e só então vi que tinha um carro me fechando na cochera (garagem) do hotel. Pedi para manobrar e fui tomar café. Voltei do café e o carro ainda estava lá. Era de um senhor Argentino, hospedado no hotel e que ainda estava dormindo. Com isso, só consegui partir de La Paz às 7h30. A temperatura estava em 8ºC.

Seguindo a rota traçada pelo GPS, fui saindo da região central de La Paz e comecei a subir uns morros, passando pelo que chamaríamos aqui no Brasil de "comunidades". A brincadeira ficou séria Quando as ruas passaram a ser estreitas e de terra, e eu só pensando onde esse GPS maluco estava me levando. As ruas eram muitos íngremes e faziam curvas em U. Mas como por milagre, saí numa via expressa e depois na estrada rumo a Potosí.

Logo no início da estrada, parei em uma estación de servicio (posto de gasolina, na Bolívia) e ai pude comprovar que não é mito o que falam sobre os postos aqui. Quando parei, a frentista veio me falar que a venda de gasolina para estrangeiros têm uma taxação especial e que eles tinham que emitir uma nota fiscal de venda própria. Me pediu até o passaporte. E mais, o valor do litro da gasolina, que aqui custa 3,74 bolivianos, para estrangeiros são 9 bolivianos o litro. Fazer o que? Completei o tanque da moto e depois tive que provar para a frentista que o tanque auxiliar não era um galão e estava ligado à moto, pois eles não colocam gasolina em galão para estrangeiros. No segundo abastecimento, o frentista veio e abasteceu os dois tanques sem questionar nada, mas em cada posto tem um policial de vigia. Na hora de pagar, o policial, educadamente, avisou ao frentista que era "venda de gasolina pra estrangeiro". Perguntou se eu estava ciente, respondi que estava ok.

Viagem de moto pela América do Sul - Bolívia

A estrada saindo de La Paz é duplicada, pedagiada (moto não paga) e com asfalto em ótimas condições até a cidade de Oruro. São retas intermináveis.

A paisagem é formada por enormes vales com vegetação baixa verde amarelada e cercada por cadeias de montanhas amarronzadas. A temperatura ambiente era de 5 graus, mas com o vento, que era forte, a sensação térmica era perto de zero. Nesse trecho também observei casas que pareciam aquelas que vemos em filmes de idade média, construídas com tijolos de barro marrom bem escuro com teto de capim/palha, e com cercados de pedras bem baixos.

Passar pela cidade de Oruro não foi tarefa fácil. O trevo está em obras e tive que andar na terra fofa e dar uma bela volta para pegar a pista na direção de Potosí. A partir daí peguei uma estrada com pista simples, um longo trecho de serra e ótimas curvas, onde eu e a capitão América nos divertimos bastante. O visual também era lindo e haviam muitas ovelhas e lhamas à beira da estrada.

Passaram por mim nesse trecho cerca de 7 motos big trails BMWs e KTMs. Não sei se eram brasileiros, somente nos cumprimentamos, pois estávamos em sentidos opostos.

Ao me aproximar de Potosí, a vegetação foi ficando mais árida. Vi alguns cactos bem grandes, estilo filme americano de faroeste. Em alguns pontos, vi também largas faixas brancas acompanhando as laterais da estrada. Não parei pra ver se era gelo ou sal.

A cerca de 45 km de Potosí, parei pra almoçar numa vila bem pequena, em um restaurante muito simples. Foi um Ótimo almoço, muito barato, e onde fui muito bem tratado. Gente simples, de uma região bem pobre e extremamente educadas.

Potosi é uma cidade ao sul da Bolívia com cerca de 200 mil habitantes. Está a quase 4.000 metros de altitude, sendo uma das cidades mais altas do mundo. Ficou em evidência, quando em 2014 o Rali Dakar teve uma de suas etapas passando por aqui. Na chegada à cidade, vi placas e adesivos do Rali em postos e carros.

Já dentro da cidade, peguei um congestionamento e nele seguia uma BMW GS 1200 com placa européia. Aquele estava andando mais longe que eu (risos).

Potosi é ponto de partida para o maior deserto de sal do mundo, o Salar de Uyuni. Tem um monumento do Dakar lá... Adivinham pra onde eu estou indo?

Comentários (2)

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! Boa tarde amigos de VM ! ôi Wladimir !
Linda tua viagem; estou te seguindo . Como viajero, peço um grande favor para o amigo ( não é conselho , é pedido mesmo ) : que não viajes à noite . Não tenha pressa, é tudo mais lindo de dia e não tem perigo . Se der algum bode com a moto( que Deus nos livre ) nada podes fazer à noite. Gostaria de estar por aí, mas estou conformado com teus relatos .
Tudo de bom ; ouve o " véio ", tá ? Ah, sobre a altitude ainda tens que conhecer a " mágica " prá moto não perder força e ficar desregulada ...
Seguimos contigo ; boa sorte .
Bocanegra

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Valeu irmão... obrigado pelo comentários... Nomalmente meu planejamento não incui trechos a noite, mas acabamos nos vendo em algumas situações que temos quer rodar um pouco pela noite para chegar ao destino do dia quando não há alternativas de hospedagem ou algo assim. O importante é estar com a moto preparada para isso, principalmente faróis e é claro, ter muito cuidado.

Fica com Deus, abcs meu irmão.

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