Viagem de moto pelo Peru - Acre

Saímos de Cuzco com o objetivo de dormir em Puerto Maldonado. Como saímos bem cedo, prevendo os derrumbes na Cordilheira, chegamos antes do horário previsto e decidimos seguir até Assis Brasil, sem saber que a fronteira fecha às sete da noite.

Antes quero relatar a aventura que foi passar pela Cordilheira: para nossa sorte, o dia estava bonito, sem chuva, sem frio e com um pouco de Sol, enfim, tudo de bom. Mas ao chegarmos a Marcapata começaram nossos problemas. A Região de Mazuco, Quinzemil e Marcapata fica na área de transição entre a Floresta Amazônica e a Cordilheira dos Andes. Portanto, essa região recebe forte influência da Amazônia, chovendo muito em toda essa área, o que provoca os derrumbes, como falam os Peruanos.

Esses derrumbes nos causaram alguns sustos, embora não tenha caído em nenhum. Tive que colocar os dois pezões na lama, me lambuzei todo, mas conseguimos passar. Não tirei fotos do lugar porque não tinha como parar, se parasse poderia atolar ou cair.

Depois que se passa a Serra Santa Rosa, próximo a Mazuco, a estrada vira um retão, então é só enrolar o cabo. Numa dessas retas vimos um boi que foi batido por um carro, estava dentro de uma vala querendo se levantar, mas não conseguia, talvez estivesse com as pernas quebradas. Disse para a Elielza: "vamos lá levantar o boi..." ela respondeu: "mas como? Levantar um boi? Ele é muito grande." Caí na real e admiti que o coitado iria sofrer até morrer.

Um quilômetro depois vi uns peões numa casa e parei. Fui até eles e lhes disse que existia um boi atropelado a cerca de um quilômetro, e que está vivo. Os cara pegaram um teretetê e foram até lá. Com certeza aquele boi estava com as pernas quebradas e foi sacrificado, que de certa forma foi um bem para ele, pois deixou de sofrer horas e horas. Não sei se considero o aviso aos peões uma boa ação da minha parte, de qualquer maneira estou achando que fiz o melhor.

Por falar em boi, colegas motociclistas que andam na Região entre Puerto Maldonado e Iñapari, muito cuidado com esses animais, pois em todas a vezes que passamos nesse trecho encontramos boiadas desfilando na avenida. Hoje não foi diferente, durante o dia passamos por duas. Detalhe: sem vaqueiro acompanhando).

A noite já chegando em Iñapari e eu me assustei com a Elielza gritando desesperada, freia, freia. Dei uma daquelas freadas que frita pneu e me deparei com dezenas de bois na rodovia, alguns deitados, outros mamando no meio da rua (mãe desvairada). Isso serve de alerta para todos que passam nessa região, principalmente à noite, pois os bois gostam do asfalto quentinho.

Para finalizar, quero dizer que chegamos ao Brasil, mas ainda temos dois dias para chegarmos em casa. Quando chegar, finalizo este diário, que espero, que tenham gostado.

Edmilson e Elielza.

Saída de Cuzco para Assis Brasil- 06h15min - 250 km - Duração do trecho 5 horas

Combustível: R$199,00 (substituição da gasolina batizada, reenchimento dos tanques reserva)
Alimentação: R$ 102,00
Hospedagem: R$ 90,00
Manutenção: R$ 0,00
Diversos: R$0,00
Total: R$391,00