Viagem de moto pela Espanha

Seguimos por estradinhas vicinais e, conforme chegávamos em direção à fronteira com Portugal, a chuva ia reduzindo de intensidade. Logo o painel de minha moto travou com a incômoda informação “Serviço Vencido”, direcionando para fazer a revisão.

Nessa parte do relato, voltamos às estórias das eventuais trapalhadas acontecidas com os pilotos. Em determinado momento da viagem, uma das motos passou a “peidar” e soltar muita fumaça. Por coincidência, era nosso amigo da “estorinha” lá de Burgos. Paramos e o GPS informava existir uma “Estacione de Servicio” logo adiante. Seguimos mais um pouco e lá, por nossa sorte, o responsável pelo posto liberou um galpão ao lado com uma variedade de ferramentas para que pudéssemos solucionar o problema.

O que aconteceu? A Bayerische Motoren Werke (BMW) havia “contratado” o nosso conhecido piloto para testar pela primeira vez numa moto BM 1200GS a utilização de gasóleo (diesel), e o resultado não foi muito positivo. Isso atrasou nossa viagem em mais de 2 horas, pois foi necessário retirar todo o diesel do tanque, abrir o motor, retirar e limpar as velas e recolocar gasolina. Nessa fase, ao tentar ligar a moto a bateria arriou, então tivemos que conseguir um cabo e fazer a famosa chupeta. Finalmente voltávamos à estrada.

Logo chegávamos a Vila do Pinhão, um dos pontos centrais da Região Demarcada do Douro. Era daqui que saía quase todo o Vinho do Porto e hoje e local de partida de barcos de turismo para rodar a região. Antigamente partiam as pipas nos barcos rabelos e depois em vagões, a partir da estação de comboios, em direção às caves de vinho em Vila Nova de Gaia. O local é extremamente charmoso e a estrada para chegar lá desce uma montanha belíssima com diversas Vinícolas, deliciosa, com curvas e vista maravilhosa.

Logo depois, entrávamos na N222. São 27 quilômetros com 93 curvas, algumas mais apertadas e outras mais suaves e intercaladas por diversas retas. Essa estrada, que faz a ligação entre Pinhão e Peso da Régua. A estrada N222, no trecho entre Peso da Régua e Pinhão, é considerada uma das mais belas estradas panorâmicas do mundo. O título é merecido, pois a iluminação solar que incide sobre o Rio Douro, agraciado pelas encostas repletas de vinhedos e somadas à estrada sinuosa cheia de revelações, definitivamente é um cenário espetacular.

No final dela chegamos a Peso da Régua, que é uma cidade no distrito de Vila Real, situada junto ao rio Douro e que é considerada a capital da região demarcada na qual é produzido o conhecido Vinho do Porto.

Peso era a povoação original, desenvolvendo-se na encosta e correspondendo à parte alta da cidade atual; Régua, correspondendo à parte baixa da atual cidade e estendendo-se ao longo das margens do Douro, que cresceu com a chegada do comboio. A existência desta importante estação ferroviária (e do entreposto comercial do Vinho do Porto) deu notoriedade ao nome da Régua.

À tarde, a Ana Paula tinha reservado para o grupo o que seria a “Cereja do Bolo” da viagem. Nessa região do Douro existem muitas Vinícolas onde os turistas buscam conhecimento sobre as fases de produção do vinho do Porto. E nosso passeio foi numa das mais tradicionais vinícolas do Douro, uma das primeiras a engarrafar o vinho da propriedade com a própria marca: a Quinta da Pacheca. Data do início do século 18 a primeira referência à propriedade de dona Mariana Pacheco Pereira (daí o nome) e as visitas acontecem todos os dias. O local em si já é um espetáculo. O nosso guia Hugo fez uma explanação sobre os vinhos produzidos pela “Quinta” e ela era acompanhada por provas: brancos, rosé, tintos e vinhos do Porto. Após isso, todos receberam camisas do local e já estavam bem mais “alegres”, sendo conduzidos à lojinha para adquirir seus excelentes vinhos. Por sorte, as motos não tem espaço para muitas compras.

Depois, apresentação da adega, onde se vê os barris de envelhecimento da bebida e a grande surpresa: fomos encaminhados a um vestiário, onde calções próprios nos esperavam e com música tocada por um regional local, entramos nos tanques, onde pisamos nas uvas que darão a safra “espetacular” de 2020.

O jantar nos esperava depois de lavar as pernas e, ao lado do Restaurante, uma varanda com umas long chaises, desfrutando de uma noite maravilhosa, uma mesa com variedade com vinhos diversos, um jazz tocando ao fundo um bom charuto para nos desligar do mundo. Precisa mais?

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