Viagem de moto pela Argentina, Chile e Bolívia

O despertar foi às 7h, pois o serviço de café começaria às 7h30. Este, proporcional à qualidade do hotel e ao preço do quarto. Apenas para “cumprir tabela”, pois a opção foi desayunar no posto Shell e também ali reabastecer.

O GPS indicava haver 550 quilômetros até a cidade de Buenos Aires, que poderiam ser percorridos em 6h45, de acordo com a Inez.

La Poderosa estava gelada, mas funcionou de primeira. Carregada e pronta, o rumo imediato foi o posto Shell. Café da manhã reforçado e tanque cheio, estrada em direção a Rufino e à interrupção da estrada.

As alternativas seriam de Rufino fazer um desvio de 95 quilômetros pela R33 até a cidade de Venado Tuerto e desta cidade seguir para Buenos Aires pela R8. Porém, com interrupção não conhecida de trânsito em algum lugar nos 30 primeiros quilômetros da R8. Ou, seguir pela R7 até a cidade de Aarón Castellanos, a 35 quilômetros de Rufino, e desta seguir 30 quilômetros por desvio de ripio até reencontrar a R7 em Diego de Alvear e seguir o roteiro planejado pela Inez. Esta foi a opção e os 30 quilômetros foram percorridos em quase 1h40, muito mais tempo do que os 95 por asfalto, pela R33.

Apesar do sol forte e da poeira no ar, fazia muito frio.

Não se pode avaliar o acerto da decisão, uma vez que não eram conhecidos na ocasião as características da interrupção da R8 e o tempo que seria necessário para supera-la.

Durante toda a viagem, foram percorridos 45 quilômetros em ripio.

Reencontrar o asfalto é sempre agradável e o próximo abastecimento ocorreria em Chacabuco, de volta na província de Buenos Aires, a cerca de 290 quilômetros de Laboulaye. O desempenho da La Poderosa permanecia excelente: 22.5 km/l. Foram realizadas três paradas técnicas nesse trecho, especialmente para caminhar, bater os pés e tomar alguma bebida quente.

No posto YPF escolhido, muitos motociclistas argentinos divididos em tribos de Harley Davidson, BMW, Ducati, Triumph, KTM. A Yamaha Super Tenere 1200 não é popular na Argentina, por isso chamou a atenção. O mercado argentino esteve fechado para a importação de motocicletas de alta cilindrada durante os governos Kirchner. Com a abertura, vieram principalmente marcas europeias e a Harley Davidson, muitas fabricadas no Brasil e importadas por meio de acordos tarifários do Mercosul. As Yamaha até 250 cc (entre as quais a Ténéré), também fabricadas no Brasil, são as mais comuns.

Num local desse trecho, como realizado em outros e também como muitos motociclistas de estradas também o fazem, ficar em pé na moto ou esticar as pernas não é nada anormal. Quem pilota por longos trechos, sabe a razão. Uma esticada de perna e, sem perceber, uma depressão na pista provocou choque da perna com piso, transmitido até o joelho e desequilibrou a moto. Um susto e uma dor. Poderia ter sido pior se o pé não tivesse resvalado no asfalto, o que evitou trauma importante no joelho ou em outra articulação da perna.

Chacabuco foi o local do último abastecimento e parada na viagem antes do definitivo corte de motor na cidade de Buenos Aires, que ocorreu às 19h45, em meio a trânsito congestionado. Mas, até lá, seria necessário ainda enfrentar mais 130 quilômetros até Luján, onde está localizada a catedral dedicada a Nossa Senhora de Luján, a padroeira da Argentina.

O resto do trajeto foi autopista, via o acesso Oeste da cidade.

Bienvenido a la Ciudad Autónoma de Buenos Aires.

Buenas noches.

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