Como o percurso era curto hoje, demorei para sair do hotel. Eram mais de 10h30 quando finalmente cheguei à Ruta nacional 3 para continuar minha viagem de moto em direção a Ushuaia. A estrada está em ótimas condições nesse trecho, sem buracos ou irregularidades e muito bem sinalizada. O movimento de carros e caminhões está acima do que eu imaginava. O tempo todo estou cruzando com veículos, ultrapassando ou sendo ultrapassado. A velocidade de cruzeiro continua sendo de 110 km/h.

O dia começou com um grande susto: acordei no meio da madrugada depois de sonhar que havia perdido a pasta onde levo passaporte, certificados de seguros (saúde, SOAPEX, Carta Verde), parte do dinheiro e outros documentos necessários para a viagem. Para checar, acendi a luz do quarto e fui ver na bolsa se a pasta estava no lugar onde sempre guardo. Não estava. Revirei a bolsa, tirei tudo de dentro e nada de encontrar a bendita pasta.

O dia foi de passeios pela cidade de Ushuaia e entorno e a moto ficou parada quase o tempo todo. O primeiro foi pelo Canal de Beagle, que contratei no porto com uma agência. Tinha a opção de fazer com um catamarã, mas eu preferi algo um pouco mais emocionante, de veleiro. Foi muito bom.

A primeira coisa que fiz ao acordar foi olhar a previsão do tempo para Ushuaia no celular e o que vi não me agradou: chuvisco intenso. Abri a cortina e vi que não era previsão, era realidade. Mas resolvi seguir assim mesmo para o Parque Nacional Tierra del Fuego para chegar à Bahia Lapataia e tirar uma foto com a famosa placa do fim da Ruta Nacional 3.

Em alguns aspectos o dia foi mais tranquilo do que eu havia imaginado, em outros chegou perto do punk. Acordei cedo com a intençao de sair cedo, uma vez que a previsão era de percorrer 770 km no dia, sendo 100 km de rípio e ainda atravessar uma fronteira.

Pelo site de meteorologia a temperatura ambiente era de 10º C. Com o vento, a sensação térmica devia estar próxima de 5º. Viajando com a moto, era mais baixa ainda. Mas para compensar, o céu estava limpo, azul e a estrada era o que poderia ser chamada de perfeita, cortando uma linda paisagem, com flores colorindo quase toda a extensão do acostamento e ovelhas, emas e guanacos pastanto nos campos. Foi isso que encontrei no curto trecho que percorri hoje entre Punta Arenas e Puerto Natales no Chile.

O dia foi de coxinha, como os motociclistas chamam quem tem moto e a usa mais para se exibir e fazer pequenos passeios. No meu caso, um mega coxinha, pois a moto ficou parada no hostal durante todo o dia enquanto eu fui conhecer de ônibus o fantástico Parque Nacional Torres del Paine, no sul do Chile.

O dia hoje foi muito tranquilo. Apenas 370 km para percorrer e uma fronteira para atravessar, do Chile para a Argentina. O céu amanheceu limpo nessa parte da Patagônia, mas com um frio de rachar, que não diminuiu na medida em que o sol foi se impondo.

Quem fizer uma viagem até Ushuaia ou pela Patagônia e não vier conhecer o Glaciar Perito Moreno deixou de fora uma das atrações mais impressionantes da região. Ele é realmente tudo que eu havia lido e ouvido falar a respeito.

Acho que tudo que podia acontecer nos pouco mais de 700 km que percorri hoje durante minha viagem de moto pela Ruta 40 na Argentina, aconteceu. Onze horas na estrada com frio Intenso, ventos fortíssimos, paisagens lindas, estradas boas, estradas ruins, rípio fácil, rípio cascudo, animais atravessando a pista na minha frente, a moto tombou, o posto não tinha gasolina e a mola do descanso pediu pra sair.

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