Todo motociclista deseja viajar e conhecer alguns lugares. Meu nome é Marcos Netto. Sou motociclista há mais de 30 anos e comigo não poderia ser diferente. Sempre tive o sonho de conhecer a Patagônia e os Andes. Apesar de já ter viajado algumas vezes para a Argentina e Chile, nunca havia tido a oportunidade de ir para aqueles lados.

A partida foi logo de manhã “cedo”: 10 horas. Os horários na Argentina, especialmente no verão, são muito mais “elásticos”. O povo sai às ruas mais tarde e as lojas e restaurantes também tem horários esticados. É comum ver pessoas almoçando em alguns locais às 16 ou 17 horas. Neste período a luminosidade do sol também vai até às 21 horas. Então para quê a pressa?

Devidamente abastecido e sem gastar muito em combustível, parti novamente rumo norte pela Ruta 40 em direção a Junin de Los Andes. Aqui a paisagem novamente mudou. Desta vez foram longos trechos de estrada de asfalto com longas retas percorrendo um deserto. Exceto por alguns rios e fazendas de gado, não havia nada mais ao redor.

Após um belíssimo café da manhã, deixei o hotel em Villa Pehuenia e parti em direção ao Chile, pois estava muito próximo da fronteira conhecida como Paso de Icalma. Apesar do verão, nesse dia amanheceu fazendo muito frio e fui obrigado a colocar o único moletom mais grosso que havia levado.

Parti pela manhã cedo de Melipeuco rumo a Pucón. Conforme planejamento da MRP, em vez de seguir por rodovias asfaltadas, eu faria a maior parte do trajeto por estradas vicinais contornando o Lago Colichio, Lago Carburgua e depois entraria na Reserva Nacional de Villa Rica e na Reserva Nacional de Hualalafquen na Araucania, Chile, para somente depois seguir para Pucón.

Neste dia, que era para ser o penúltimo, houve uma mudança de planos. No planejamento original o trajeto seria até Puerto Fuy para um pernoite e no dia seguinte atravessar o Lago Pirihueico com a moto num ferry boat. Porém, isto me deixaria “vulnerável” a atrasos para o voo de volta ao Brasil em caso de qualquer contratempo no último dia, que poderia ser desde uma pane mecânica, uma mudança brusca na temperatura ou até mesmo uma eventual interrupção de rodovias por protestos no Chile.

O pessoal da MRP ficou muito satisfeito em saber que tudo havia transcorrido bem com o passeio e entenderam perfeitamente a minha preocupação a respeito do retorno para La Angostura e a partida no voo em Bariloche. Após esse episódio eles passaram a sugerir para os moto-aventureiros que retornem para o ponto de partida com no mínimo um dia de antecedência, para evitar quaisquer contratempos que possam ocasionar a perda do horário do voo.

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