Viagem de moto pelo Nordeste do Brasil

Saímos pela manhã pelo transito confuso de Salvador. Depois de ficar perdido no dia anterior na cidade, liguei o GPS do telefone e deixei-o na mala tanque. O principal problema é nas cidades grandes. Na estrada os mapas de papel resolvem bem. Não queríamos passar novamente pelo ferri-boat, então decidimos passar pela BR 101, dando a volta e passando por Cruz das Almas.

Sem maiores problemas, segui até chegar de fato à rodovia, onde parei pra abastecer e desliguei o celular.

A parte da estrada até Feira de Santana, pela BR 324 privatizada, é um tapete. Depois dela, voltamos pra BR 101 com aquele estado de conservação padrão que nós estamos acostumados, mas nada que atrapalhasse até então.

Depois de Itabuna (BA), vinha já “pertinho” de casa, agradecendo que tinha dado tudo certo e lembrando de um irmão de clube, Sandro Gobbo, ou simplesmente VEI, a lenda, que sempre agradece por ele e pelos companheiros dizendo: “- Graças a Deus nenhuma moto abriu o bico, ninguém caiu, não queimou uma lâmpada, etc...”. Quando tangencio uma curva dou com a roda traseira na quina de um buraco encoberto pela sombra de uma arvore. A danada começou a rebolar. Fui reduzindo e tentando controlar até que por intervenção dos Anjos consegui parar a moto.

Pensei: "- Pronto, acabou o dia. Onde vou arrumar um pneu de Suzuki GSX 650F aqui no meio do interior da Bahia...".

A noiva desceu da moto, tirei o capacete pra olhar e vi que o pneu não tinha rasgado, mas a roda tinha um leve amassado. Resolvi tentar empurrar a moto e seguir a pé pela estrada até encontrar socorro. Passou um motociclista numa CG. O parei e ele me disse que tinha um posto a uns 15 km. Continuei empurrando. Um Corsa Sedan na direção contrária parou e dois homens uniformizados voltando de um dia de trabalho ofereceram ajuda. Escondi a moto no meio do mato, tirei as malas e fui com a patroa no carro com eles.

“- Eu conheço bem a região, meu filho também anda de moto e esses dias mesmo arrebentou a dele aqui perto”, disse o motorista. Me levou a um borracheiro e só saiu de lá quando arrumaram uma Saveiro pra buscar a moto.

Quando a saveiro chegou ao local, um sinal de alivio junto com a preocupação de como iria colocar a moto em cima. Tirei força que não sabia que tinha. Em três (não havia espaço pra mais ninguém. Dois iam na cabina e eu segurando a moto na caçamba), colocamos uma 650F em cima da saveiro quadrada e seguimos pra borracharia Santo Antônio. Moto desmontada começou o serviço pra tirar da estrada. Claro que quando cheguei a Vitória refiz o serviço pra garantir. Apesar da desconfiança, a moto tinha ficado boa e o borracheiro era bom.

Viagem de moto pelo Nordeste do Brasil

Lembrando-me do mesmo VEI, agradeci mesmo assim e pensei como ele: se aconteceu e tá todo mundo bem, deve ter sido um livramento de alguma coisa que tinha na estrada mais pra frente. Deixamos o lado místico de lado e terminamos de chegar a Porto Seguro.

Reservei pelo decolar no celular enquanto pernoitava em Salvador uma pousada com garagem em Porto Seguro. Chegando lá, cadê a garagem? Não quis nem saber, arrumei certa confusão já que prometeram o que não tinham e enfiei a moto no corredor entre os quartos e deixei na porta do meu.

Rodamos 709 km.

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